O presidente boliviano, Rodrigo Paz, denunciou nesta segunda-feira (8) que os “narcoterroristas” estão por trás dos protestos que exigem sua renúncia e os advertiu de que “seus dias estão contados”, após promulgar uma lei que lhe permitirá controlar as manifestações com o auxílio das Forças Armadas.
Operários da construção, agricultores, mineradores, transportadores e professores têm pressionado o governo com dezenas de bloqueios de estradas que paralisaram as principais cidades do país nas últimas cinco semanas. Em confrontos recentes para desobstruir as vias, o governo informou que quatro policiais foram baleados.
O presidente afirmou que os grupos mais violentos são facções criminosas ligadas ao tráfico de drogas.
Com a promulgação da lei na terça-feira, Paz, que está no poder há sete meses, agora tem carta branca para declarar estado de exceção, o que também restringiria a liberdade de reunião e de movimento, elementos essenciais para os protestos.
“Aos violentos, aos narcoterroristas (…): seus dias estão contados. Vamos fazer cumprir o que manda a Constituição”, disse o presidente durante um ato no palácio do governo, ao lado de seus ministros.
O governo boliviano, um novo aliado dos Estados Unidos, acusa o ex-presidente Evo Morales de estar por trás dos intensos protestos que, segundo uma denúncia apresentada à Organização dos Estados Americanos (OEA), buscam “desestabilizar a ordem democrática”.
Os manifestantes rejeitam as propostas de reforma de Paz, que pôs fim a 20 anos de governos socialistas liderados por Evo Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025), e denunciam a falta de avanços na superação da pior crise econômica do país em quatro décadas.