Projeto Filhos da Nação usa canoagem para ajudar crianças vulneráveis no DF

Projeto Filhos da Nação usa canoagem para ajudar crianças vulneráveis no DF
Projeto Filhos da Nação usa canoagem para ajudar crianças vulneráveis no DF | Imagem: Reprodução

O projeto social Filhos da Nação celebrou, na quarta-feira (14/1), o batismo de 10 novas canoas. As atividades esportivas e de acolhimento são oferecidas a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social no Distrito Federal.

Filhos da Nação: Um Projeto Social

Em um ritual havaiano, cada canoa recebeu um nome simbólico: empatia, amor, gratidão, respeito, coragem e responsabilidade. Os nomes representam valores trabalhados diariamente com os participantes, que devem acompanhar essas crianças.

O Filhos da Nação foi fundado em 2017 por Tiago Souza, 46 anos, e Gabriela Spezialli, após a perda da filha. Do luto, surgiu a decisão de transformar a dor em acolhimento coletivo.

“A gente entendeu que não conseguiria adotar apenas uma criança. Então surgiu o desejo de adotar o máximo possível, de forma simbólica, oferecendo cuidado, presença e oportunidade”, explica Tiago.

Atualmente, o projeto atende a 306 crianças e adolescentes, com idades entre 5 e 18 anos, todos oriundos de casas de acolhimento institucional. A iniciativa funciona em parceria com o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) e a Vara da Infância e da Juventude.

“Não é um projeto em que a criança se inscreve. São meninos e meninas que já passaram por rupturas familiares importantes e vivem sob proteção do Estado. Nosso trabalho só é possível porque existe uma relação sólida com o Judiciário”, destaca o coordenador.

As atividades ocorrem em Ceilândia, Taguatinga, Sobradinho, Brazlândia e Núcleo Bandeirante, além de ações mensais em instituições mais distantes. A canoagem tem papel central — para muitos participantes, é o primeiro contato com o Lago Paranoá.

Primeiro Contato com o Lago

Um adolescente de 14 anos, acolhido no Lar São José, em Ceilândia, participa do projeto há cerca de seis meses. Ele conta que sempre teve curiosidade pela canoagem.

“Eu só via nas Olimpíadas. Quando entrei aqui, fiquei com medo no começo, mas depois descobri uma paixão. Sinto que sou um dos melhores entre meus colegas e que posso me tornar um atleta”, relata.

Outra participante de 12 anos, também acolhida no Lar São José, começou a participar do Filhos da Nação em setembro do ano passado e afirma que a iniciativa teve impacto direto em sua saúde emocional. Antes de entrar no projeto, a adolescente enfrentava um período de tristeza profunda e isolamento, agravado por perdas familiares. Segundo ela, o contato com o esporte e a convivência com outras crianças foram fundamentais no processo de recuperação.

“Depois que comecei a remar, eu fui melhorando muito, parando de me machucar. Aqui eu conheci pessoas, fiz amizades e comecei a ver o mundo mais colorido”, conta.

Parcerias e Alcance Social

O presidente da Federação Brasiliense de Canoa Havaiana (FEB VAA), João Marcelo Marins, destacou o caráter transformador da iniciativa.

“O projeto abre o Lago para quem, historicamente, nunca teve acesso a esse espaço. Não se trata apenas de formar atletas, mas de formar cidadãos, com valores que vão muito além do esporte”, afirmou.

A FEB VAA é a entidade responsável por organizar, regulamentar e fomentar a prática da canoa havaiana no Distrito Federal, atuando tanto no esporte de rendimento quanto em ações de inclusão social.

O artista e educador social Dudu Mano MC, morador da Ceilândia e integrante do projeto Gigantes de Rua, atua no Filhos da Nação e reforça a importância da união entre esporte, cultura e acolhimento como ferramentas de mudança social.

“A gente usa o hip hop e o esporte para mostrar que existe outro caminho. A ideia é que essas crianças não precisem seguir o caminho errado para se sentirem pertencentes”, destacou.

T LB
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
plugins premium WordPress