Um terço das crianças não frequenta creche no país por falta de vaga, aponta IBGE

Uma em cada três crianças de 2 e 3 anos que não frequentava creche em 2025 não estava matriculada por falta de vaga. Os dados são da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e foram divulgados nesta sexta-feira (19).

A frequência na creche não é obrigatória no Brasil, mas o PNE (Plano Nacional de Educação) estabelecia que o país deveria garantir que ao menos metade das crianças de 0 a 3 anos estivesse matriculada na educação infantil até 2024.

Os dados mostram que, no ano passado, 41,7% das crianças dessa faixa etária estavam na creche.
Apesar do país ainda estar longe de alcançar a meta, a pesquisa mostra que houve avanços consecutivos da cobertura nessa etapa escolar na última década. Em 2016, menos de um terço (30,3%) das crianças de 0 a 3 anos frequentavam a escola.

Taxa de escolarização de crianças de 0 a 3 anos

em %
30,3 – 2016
35,5 – 2019
35,9 – 2022
39,7 – 2024
41,7 – 2025
Pnad Contínua/IBGE

Os dados variam de acordo com a faixa etária dentro desse grupo. Entre as crianças com menos de dois anos, 17,6% frequentavam creche no ano passado. Isso significa que, dos mais de 4,6 milhões de bebês dessa idade, 800 mil estavam matriculados.

Segundo a pesquisa, dos 3,8 milhões fora da creche, 64,1% não estavam matriculados por uma opção dos pais e 28,1% por falta de vaga na região em que moram ou por a escola não aceitar a matrícula da criança nessa idade.

A cobertura entre as crianças mais velhas, de 2 e 3 anos, é maior. Segundo os dados, 62,9% da população dessa faixa etária estava matriculada em creche —em 2016, a taxa era de 49,1%.

Das mais de 5,2 milhões de crianças dessa idade, 1,9 milhão não frequentava a creche no ano passado, sendo que mais de um terço (33,4%) não estava matriculado por falta de vaga. Outras 57,1% estavam fora da escola por opção dos pais.

A falta de vagas em creches é um dos grandes desafios da educação brasileira. Pesquisas internacionais e nacionais têm reforçado a importância da educação na primeira infância para o desenvolvimento educacional e sucesso na vida adulta.

Neste ano, foi aprovada uma lei que institui um novo PNE para o país com metas a serem alcançadas até 2034. Mesmo sem o país ter conseguido alcançar o objetivo de ter metade das crianças de até três anos matriculadas em creche, o novo plano estabeleceu uma meta ainda mais ousada, garantir o atendimento de 60% da população dessa faixa etária.

“Os dados nos mostram duas situações, os pais de crianças mais novas em geral preferem ficar com os filhos em casa. Isso é uma opção. Mas temos um contingente expressivo de famílias que precisam da creche, mas não encontram vaga. Há uma carência grande no país a ser resolvida nos próximos anos”, diz William Kratochwill, pesquisador do instituto.

Nenhuma das cinco regiões do país conseguiu atingir a meta de ter 50% das crianças matriculadas. As taxas médias de escolarização infantil para essa faixa etária foram de 23,9% no norte, 38,8% no nordeste, 35,6% no centro-oeste, 47,8% no sudeste e 47,9% no sul.

PRÉ-ESCOLA

Na pré-escola, etapa que atende crianças de 4 e 5 anos e cuja frequência é obrigatória, a taxa nacional de escolarização foi de 94,9%, em 2025. O patamar é considerado elevado, mas ainda está aquém da universalização (geralmente considerada quando a taxa está acima de 95-97%) estabelecida pelo PNE, que previa cobertura total até 2016.

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