MPDFT apura esquema de fraudes em consignações de servidores no DF

MPDFT impulsiona diversidade no Conselho de Direitos da Mulher do DF
MPDFT impulsiona diversidade no Conselho de Direitos da Mulher do – Reprodução

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou nesta sexta-feira, 19 de junho, a Operação Juro Zero para apurar um suposto esquema de fraudes em descontos realizados nas folhas de pagamento de servidores públicos do Distrito Federal. A investigação aponta a participação de agentes públicos e privados e cita o então secretário de Economia do DF, Ney Ferraz Júnior, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.

Segundo o MPDFT, foram cumpridos 44 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) em endereços no Distrito Federal, em Curitiba e em São Paulo, onde fica a sede da empresa PicPay. Não houve prisões. As diligências, de acordo com o órgão, têm o objetivo de preservar provas, identificar a participação dos envolvidos e aprofundar a apuração.

Entre os possíveis crimes investigados estão corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos em sistemas informatizados, lavagem de dinheiro, crimes contra a economia popular, crimes contra as relações de consumo e organização criminosa.

A apuração trata de duas frentes. A primeira envolve o produto chamado “antecipação salarial, sem ônus para o Distrito Federal”, ofertado pela Conta PicPay e pelo Cartão Benefício. O MPDFT afirma haver indícios de que a modalidade tenha funcionado como operação de crédito com cobrança de encargos financeiros, embora tenha sido apresentada como serviço sem juros. Segundo a investigação, os descontos vinculados ao produto ultrapassaram R$ 80 milhões. Em 2024, os valores descontados a título de “antecipação salarial” somavam R$ 11,7 milhões e, até agosto de 2025, passaram de R$ 70 milhões, com cobrança de juros.

O MPDFT também afirma que a modalidade teria sido implementada sem estudos prévios sobre impactos econômico-financeiros para os servidores, sem definição de limites para as cobranças e sem mecanismos adequados de fiscalização. Em alguns casos, segundo a apuração, os percentuais cobrados teriam alcançado taxa efetiva anualizada superior a 261% ao ano.

A segunda frente investigada envolve descontos em favor da Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal (ASDF) e de empresas a ela relacionadas, como JR Serviços de Informações Cadastrais Ltda. (CBBrazil), Peak Sociedade de Empréstimo entre Pessoas S.A. e Vemcard. Conforme as investigações, essas empresas ofereciam operações de crédito a servidores públicos por meio de descontos em folha vinculados a códigos destinados a benefícios associativos e de saúde. O MPDFT apura possíveis irregularidades na utilização dessas rubricas e a existência de cobranças sem autorização válida dos servidores ou em desacordo com a finalidade declarada. Em menos de dois anos, a arrecadação da ASDF teria crescido mais de 48 mil%.

As consignações em folha foram operacionalizadas por meio do sistema Consigserv, utilizado pelo BRB, pela BRB Serviços S.A. e pela empresa Neoconsig Tecnologia S.A. O prejuízo estimado na apuração é superior a R$ 81 milhões.

T CSM
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