Fabricação de alimentos lidera a atividade industrial no DF

A fabricação de produtos alimentícios é a principal atividade industrial do Distrito Federal, é o que aponta a Pesquisa Industrial Anual – Empresa (PIA – Empresa) de 2024 realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada nesta quarta-feira (24). Na capital, em 2024, foram contabilizadas 1.529 unidades locais de empresas industriais com cinco ou mais pessoas ocupadas.

A caracterização da indústria brasileira na PIA-Empresa parte de duas perspectivas distintas: as empresas e as unidades locais. Enquanto as primeiras concentram os principais resultados econômico-financeiros, as últimas refletem o local onde as atividades industriais efetivamente se desenvolvem, proporcionando uma visão da complexidade produtiva do setor e possibilitando a análise mais precisa da integração às cadeias produtivas e alocação regional da produção.

Metade das 1.529 unidades locais de empresas industriais no DF estavam nas atividades de fabricação de produtos alimentícios (32,7%), fabricação de produtos de minerais não metálicos (8,3%) e fabricação de móveis (8,1%). Em 2024, a receita líquida de vendas de atividades industriais e não industriais nas unidades locais industriais da capital totalizou R$ 10,9 bilhões. O grande destaque, segundo a pesquisa, vem da atividade de fabricação de produtos alimentícios, com a receita calculada em R$ 3,5 bilhões (32,2%). Em seguida aparece a fabricação de produtos de minerais não-metálicos, com receita estimada em R$ 2,3 bilhões (21,6%).

Para Pedro Nicola, presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação de Brasília (Siab), a atividade da indústria de alimentos é de fato a que tem maior capilaridade no DF considerando as empresas mais estruturadas. Alguns dos segmentos com certa força na capital são os de panificação, abatedouros, de bebidas – como cerveja e água mineral – e de chocolate. O segmento de panificação, segundo ele, merece destaque no DF:

“O maior disparado na quantidade de pessoas [ocupadas] e na quantidade de empresas é o segmento de panificação e confeitaria. O motivo principal disso é porque toda indústria possui o que a gente chama de barreira de entrada. Toda indústria depende de um valor muito alto de financiamento. Precisa de um local amplo, de equipamentos que normalmente custam caro, uma estrutura grande, então é um investimento alto. Isso é uma barreira inicial que não é fácil para qualquer empreendedor”, explicou Nicola.

O total pago em salários, retiradas e outras remunerações aos trabalhadores das unidades locais industriais no Distrito Federal, em 2024, foi de R$ 1,6 bilhão. Destaques para as atividades de fabricação de produtos alimentícios (R$ 447,9 milhões), fabricação de produtos de minerais não-metálicos (R$ 190,2 milhões), fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (R$ 99,8 milhões), e fabricação de produtos químicos (R$ 52,5 milhões) que, juntas, pagaram metade do montante total.

Para Nicola, não só a atividade industrial de fabricação de alimentos, mas a indústria no geral é indispensável para o desenvolvimento econômico. “Estrategicamente é muito importante a indústria. No exemplo do segmento da panificação, a gente compra farinha de trigo a R$ 2,50 ou R$ 3 o quilo e transforma ela, vendendo pães a R$ 80, R$ 90, R$ 100 reais o quilo. Então a riqueza que você tem com a indústria, especificamente a indústria de transformação, é muito grande”, explicou.

O valor da transformação industrial (VTI) é o montante decorrente da diferença entre o valor bruto da produção industrial e os custos de operações industriais. Em 2024, o VTI das unidades locais de empresas industriais no DF alcançou o montante de R$ 4,8 bilhões. Pouco mais da metade (54,9%) desse montante se concentrou na fabricação de produtos alimentícios (28,9%) e na fabricação de produtos de minerais não-metálicos (26,0%).

Na Região Centro-Oeste, em 2024, Goiás contribuiu com 43,4% do VTI, Mato Grosso com 27,3%, Mato Grosso do Sul com 26,2% e o Distrito Federal com 3,2%. “A indústria aqui no DF nunca foi vista com bons olhos, porque é uma cidade administrativa, a princípio. Então, o DF não foi visto como tendo vocação para a indústria”, disse Nicola. Ainda assim, segundo ele, existe um potencial capital para esse tipo de atividade.

Potencial da indústria no DF

O economista e professor da Universidade de Brasília (UnB), Cesar Bergo, explicou ao Jornal de Brasília que para analisar esse potencial e a perspectiva do setor industrial do DF, é preciso saber que a economia é fortemente baseada na área de serviços e na administração pública. “Mas a indústria vem apresentando um crescimento, como nós estamos vendo, inclusive acima da média de alguns outros setores”, destacou. Para o professor, algumas limitações locais como escassez de grandes áreas industriais, custo imobiliário elevado e dependência da demanda colocam algumas barreiras para o desenvolvimento da atividade industrial na capital.

Mas existe um potencial enorme para esse desenvolvimento aqui no DF. Não falamos, obviamente, de indústrias pesadas que exigem bastante áreas, como siderúrgica, petroquímica, automotiva, mas setores intensivos em conhecimento como, por exemplo, o setor farmacêutico, o setor de tecnologia eletrônica, também a biotecnologia, sobretudo a construção civil ligada a um empreendimento sustentável”, detalhou.

Para essa análise, segundo Bergo, também existem fatores diferenciados do DF que fortalecem o entendimento desse potencial. A localização estratégica estratégica do território é um deles. “Também existe um mercado consumidor de alta renda, hoje o DF tem a maior renda per capita do país”. Além disso, a indústria também reflete em melhores condições de trabalho e renda, apontou o economista.

“A remuneração tende a ser melhor no setor industrial, sobretudo se comparado aos demais setores da economia e também porque exige uma mão de obra mais qualificada. Podemos dizer que se continuar os investimentos, principalmente em infraestrutura, qualificação profissional e o ambiente de negócio, o setor industrial só tem a ganhar e pode aumentar sua participação na economia do DF”, completou.

O presidente do Siab, Pedro Nicola, ressaltou a força da indústria de alimentos no DF. Foto: Bruno Frauzino/Sistema Fibra

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