O ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e a Prefeitura do Rio de Janeiro assinam nesta quarta-feira (1°) um acordo de cooperação para que o município passe a prestar serviços de conservação, iluminação, ordem pública e segurança no Parque Nacional da Tijuca, unidade de conservação federal onde está localizado o monumento do Cristo Redentor.
O acordo prevê que a prefeitura escale diariamente duplas de guardas municipais em áreas de visitação intensa, como a Vista Chinesa, a Pedra Bonita, o Alto Corcovado e o Mirante Dona Marta. Os agentes também vão fazer patrulhamento para coibir estacionamento irregular nas estradas que levam ao parque.
Também determina que a prefeitura crie protocolos de risco para o funcionamento do Parque da Tijuca em caso de eventos climáticos extremos, como dias de altas temperaturas ou de temporais que podem afetar a circulação de vistantes.
A secretaria de Meio Ambiente e Clima será responsável por monitorar a cobertura vegetal do parque e o avanço das ações humanas, e a Geo-Rio (Fundação Instituto de Geotécnica do Rio de Janeiro) deverá fazer avaliar áreas críticas ou acidentadas nas encostas.
O acordo de cooperação terá duração de cinco anos. A gestão administrativa do parque vai continuar com o ICMBio.
O instituto também vai anunciar nesta quarta um plano de obras para modernizar escadas rolantes de acesso ao Cristo. As quatro escadas foram inauguradas em 2003 e desde então não foram atualizadas.
Com a reforma, a capacidade de visitantes no local será reduzida temporariamente.
A acessibilidade do local foi alvo de críticas e investigação policial em 2025, quando o turista gaúcho Jorge Alex Duarte, 54, morreu após passar mal enquanto subia a escadaria de acesso ao Cristo Redentor.
No mesmo mês o ICMBio anunciou reformas de acesso ao monumento, que seguem em andamento.
Segundo o instituto, desde o ano passado foram inaugurados novos banheiros, incluindo acessíveis, espaços para beber água e hall de elevadores mais resistentes a intempéries do tempo.
No ano passado a Justiça Federal decidiu que a União tem o domínio da área do Alto Corcovado, onde está o Cristo Redentor. A sentença não reconheceu os argumentos da Mitra Arquiepiscopal, entidade ligada à Igreja Católica que reivindica a posse do local.
Em 2020, o ICMBio havia entrado com pedido de reintegração de posse de imóveis ocupados por lojistas perto da estátua. A Mitra alegou que o espaço pertenceria à Igreja e, por isso, a União não poderia remover os comerciantes sem consultá-la.
A Igreja argumentou no processo que possui direitos sobre a área porque a construção do Cristo Redentor teria envolvido recursos privados. Uma carta de aforamento de 1934, que concederia a posse, também foi usada para sustentar a tese.
Hoje o local é administrado pelo ICMBio, já que o monumento está dentro do parque da Tijuca, uma unidade de conservação federal. A Arquidiocese do Rio detém controle sobre o Santuário do Cristo Redentor, que abrange o pedestal e e o monumento do Cristo Redentor, além de uma capela interna.
ICMBio, Mitra e Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) têm feito reuniões sobre uso do espaço.
A unidade de conservação recebeu 4,9 milhões de visitantes em 2025, segundo o ICMBio, e foi, pela 18° ano seguido, o parque nacional com mais visitantes. Visitaram o Alto Corcovado 2,8 milhões de pessoas.