Polícia diz ter encontrado sedativo em corpos de casal de idosos mortos em BH


FOLHAPRESS

A Polícia Civil confirmou nesta sexta-feira (3) que a perícia identificou clonazepam no sangue do casal de idosos encontrado morto na última segunda (29) em um apartamento em Belo Horizonte. O resultado é compatível com a versão apresentada à polícia pela diarista presa sob suspeita de latrocínio, Paola Stefany Neto Cirino, 30.

Em conversa com policiais enquanto era conduzida à delegacia, ela teria afirmado que colocou quatro comprimidos de uso pessoal em um suco preparado pela empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, 76. Ela e o marido, o advogado Cláudio Atala Inácio, 75, foram encontrados mortos com marcas de facadas.

A defesa de Paola afirmou, em nota, que os argumentos serão apresentados no momento processual oportuno. Procurado por mensagem nesta sexta para comentar sobre as novas descobertas da polícia, o advogado dela não respondeu até a publicação do texto.

O clonazepam é o princípio ativo do Rivotril e atua no sistema nervoso central. Conforme a bula, é indicado para o tratamento de transtornos de ansiedade e de humor, síndromes psicóticas, crises epilépticas e outras condições. Entre os efeitos do uso abusivo, estão vertigem, prejuízo da cognição, redução do tempo de reação e tontura.

Conforme o delegado Gustavo Barletta, depois que as vítimas ficaram sonolentas, ela entrou no quarto para pegar objetos de valor, mas percebeu que o advogado ainda estava acordado. A diarista teria ido até a cozinha, pegado uma faca e atacado o idoso. Em seguida, teria matado a empresária, conforme o relato do policial.

“As lesões nas mãos e nos antebraços mostram que eles tentaram se defender”, afirmou o delegado.

Responsável pelo caso, ele afirmou à TV Record que a suspeita relatou ter enfrentado um episódio de “surto psicótico”, que ouviu vozes mandando que matasse as vítimas e demonstrou arrependimento.

O delegado disse que a suspeita autorizou a coleta de sangue e agora a perícia vai identificar se havia clonazepam também no corpo dela. O objetivo é identificar se ela é usuária do medicamento ou o utiliza apenas para aplicar golpes nas vítimas.

Segundo a investigação, Paola foi contratada para fazer um serviço de limpeza no apartamento, na região Centro-Sul da capital. Durante o trabalho, decidiu roubar o casal após encontrar dinheiro, joias e relógios no imóvel.

Os celulares das vítimas foram encontrados no dia seguinte ao crime em uma caçamba em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte. Os relógios foram localizados e devolvidos à polícia pelo comprador na quinta-feira (2). Segundo a corporação, não há indícios de que ele tenha agido de má-fé.

Uma das linhas de investigação apura se a diarista teve ajuda para cometer o crime ou fugir. Segundo Barletta, a hipótese não foi descartada, mas, até o momento, não há elementos concretos que indiquem a participação de outra pessoa.

Uma das circunstâncias investigadas era o carro que buscou a suspeita após o crime. O delegado Barletta afirmou que a polícia identificou o veículo e levou o condutor à delegacia para prestar depoimento.

Ele disse que se trata de um motorista de aplicativo e que ele havia feito outras corridas durante o dia. O condutor disse aos policiais que a suspeita ainda tentou vender dois pares de calçados para ele, que a polícia acredita serem das vítimas.

“A gente tem certeza que esse motorista não tem nenhuma participação. Foi envolvido [no caso] porque estava esperando um passageiro”, disse o delegado à TV Globo.


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