Dólar abre em leve queda com investidores monitorando novos ataques entre EUA e Irã

Barômetros Econômicos Globais interrompem trajetória de alta dos últimos meses, mostra FGV
Barômetros Econômicos Globais interrompem trajetória de alta dos últimos meses, – Reprodução

O dólar abriu em leve queda nesta quinta-feira (9), em sessão que deve ter menor liquidez, já que é feriado no estado de São Paulo em virtude da Revolução Constitucionalista de 1932.

Os investidores acompanham o aumento de tensão no Oriente Médio com o terceiro dia seguido de ataques entre EUA e Irã, após o presidente norte-americano, Donald Trump, ter declarado que o acordo de cessar-fogo “acabou”.

Às 9h16, a moeda norte-americana caía 0,16%, cotada a R$ 5,1403. Na quarta, o dólar fechou em leve queda de 0,11%, a R$ 5,146, e a Bolsa caiu 0,79%, a 170.653 pontos.

Investidores acompanharam o acirramento do conflito no Oriente Médio com novos ataques entre Estados Unidos e Irã.

Em uma escalada de hostilidades, forças norte-americanas atingiram alvos iranianos, após ataques contra navios-tanque no Estreito de Hormuz que os EUA acusam autoria de Teerã.

O Irã, em resposta, informou ter atacado instalações militares dos EUA no Barein e no Kuwait.

Os ataques minaram ainda mais o frágil acordo de cessar-fogo e reduziram as esperanças de transformar o memorando de entendimento assinado em 17 de junho em um acordo de paz permanente para encerrar a guerra, iniciada com ataques aéreos dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.

Questionado, antes de uma cúpula da Otan na Turquia, se o memorando de entendimento havia acabado, Trump disse: “É uma pergunta muito interessante. Para mim, acho que acabou. Não quero lidar com eles”.

“Eles são escória. São pessoas doentes. São liderados por pessoas doentes”, declarou ele a repórteres em Ancara. “Para mim, é apenas perda de tempo lidar com eles.”
Embora Trump tenha, em alguns momentos, recuado de ameaças feitas contra o Irã, os preços do petróleo dispararam e Bolsas globais caíram após seus comentários mais recentes.

A retomada das hostilidades também aumentou as preocupações com a segurança em Hormuz. Dados de navegação mostram que pelo menos quatro navios-tanque de petróleo e gás retornaram em vez de tentar atravessar a via navegável.

Na véspera, os Estados Unidos ainda revogaram a licença-geral que autorizava a venda de petróleo iraniano.

O alto comando militar conjunto do Irã, Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, condenou os ataques dos EUA classificando-os como um “ato flagrante de agressão”, ameaçou com uma “resposta esmagadora” e alertou que Teerã não permitirá a interferência dos EUA na gestão do estreito.

Um importante negociador iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, acusou os EUA de violarem o acordo de cessar-fogo. Ele citou não apenas os mais recentes ataques militares norte-americanos, mas também a renovação das sanções ao petróleo.

“A era da intimidação e da extorsão acabou”, disse Qalibaf em uma publicação no X. “Não cederemos.”
Em meio às tensões, o preço do barril de petróleo Brent voltou a ficar acima de US$ 79 no pico da sessão até aqui; o WTI (West Texas Intermediate), US$ 75.

“O mercado volta a demonstrar forte preocupação com a oferta global de petróleo, especialmente diante da incerteza em relação às exportações provenientes do Golfo Pérsico. Há uma probabilidade elevada de redução dos volumes escoados pela região, o que teria impacto direto sobre o equilíbrio entre oferta e demanda, principalmente na Ásia e na Europa”, diz Bruno Cordeiro, analista de mercado da Stonex.

Já os juros futuros avançaram, refletindo a possibilidade de novas pressões inflacionárias sobre a economia brasileira que forçariam a manutenção da Selic em patamares elevados.

A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,18%, em alta de 0,03 ponto percentual. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,43%, avanço de 0,05 ponto.

“O que puxa o mercado para baixo é o impacto que esse cenário de guerra tem nas expectativas de inflação e de juros globais. Petróleo mais caro significa um choque de custos em toda a cadeia produtiva mundial, o que pode forçar os bancos centrais, especialmente o Federal Reserve nos EUA, a manter os juros altos por mais tempo para conter a inflação”, diz Rebecca Nossig, analista de investimentos da Nomad.

“Diante do risco, grandes fundos e investidores institucionais adotam o movimento conhecido como ‘fuga para qualidade’. Na prática, o capital estrangeiro abandona ativos considerados mais arriscados, como é o caso do Brasil e outros países emergentes. Esse dinheiro migra em massa para portos seguros, buscando abrigo nos títulos do Tesouro norte-americano e na própria moeda dos Estados Unidos.”

T CSM
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