Dólar opera em estabilidade e Bolsa avança com divulgação do IPCA-15 e Fed no radar

Dólar avança para R$ 5,229 em dia de turbulência global e quedas na bolsa
Dólar avança para R$ 5,229 em dia de turbulência global – Reprodução

JÚLIA GALVÃO
FOLHAPRESS

O dólar está operando em estabilidade nesta terça-feira (28), com os investidores repercutindo a divulgação do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) e a espera das decisões de juros do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos).

Às 14h53, a moeda norte-americana avançava 0,09, cotada a R$ 5,117. No mesmo horário, o Ibovespa subia 0,79%, aos 176.727 pontos.

Para Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o mercado desta terça segue sensível a sinais de deterioração do cenário externo, que podem afetar o apetite por risco e influenciar tanto o dólar quanto a curva de juros futuros.

Por volta das 15h, a curva de juros futuros operava em queda. A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,965%, recuo de 0,07 ponto percentual. O contrato para janeiro de 2035 estava em 14,620%, queda de 0,08 ponto percentual.

Araújo afirma que os investidores também aguardam o relatório de produção e vendas da Petrobras, previsto para depois do fechamento do mercado, que pode influenciar o desempenho das ações da estatal e, consequentemente, do Ibovespa.

O mercado também repercute a inflação medida pelo IPCA-15, que desacelerou para 0,06% em julho, após registrar alta de 0,41% em junho, segundo dados divulgados nesta terça pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O resultado surpreendeu os analistas ao ficar bem abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, de 0,22%, segundo a agência Bloomberg. A taxa de 0,06% ficou, inclusive, abaixo do piso das estimativas, de 0,15%.

O grupo de alimentação e bebidas registrou queda de 0,66% em julho, exercendo o principal impacto de baixa sobre o IPCA-15. No acumulado de 12 meses, o índice desacelerou para 4,52%, ante 4,8% registrados até junho.

Gabriel Pestana, economista-sênior da Genial Investimentos, afirma os resultados reforçam os sinais de desaceleração da inflação, mas ainda exige cautela em relação ao comportamento dos preços de serviços.

Segundo ele, parte da queda observada nos alimentos pode ser revertida no fim do ano, a depender dos impactos do El Niño, enquanto os serviços podem voltar a acelerar com a entrada de estímulos fiscais na economia em um ano eleitoral.

Apesar da desaceleração, o IPCA-15 segue acima do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

A divulgação dos dados ocorre uma semana antes da próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, marcada para os dias 4 e 5 de agosto.

No encontro, o colegiado decidirá o novo patamar da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,25% ao ano.

Bruno Yamashita, analista da Avenue, afirma que os mercados nos Estados Unidos operam próximos da estabilidade na manhã desta terça, após uma sessão mais morna na véspera.

Segundo ele, os investidores adotam uma postura de espera antes da decisão de política monetária do Fed, que acontece nesta quarta-feira (29), e da divulgação dos balanços das grandes empresas de tecnologia, que ganham força ao longo da semana.

Às 14h56, o Dow Jones avançava 1,13%, o S&P 500 subia 0,32% e o Nasdaq caia 0,14%, refletindo a cautela com as ações de empresas ligadas a chips de inteligência artificial.

Bruno Issa, sales de renda variável da InvestSmart XP, afirma que a decisão de juros do Federal Reserve desta quarta chega em um contexto atípico, sem um consenso claro sobre o resultado.

Segundo ele, os contratos futuros negociados na CME (Chicago Mercantile Exchange) indicam cerca de 62% de probabilidade de manutenção dos juros e 38% de chance de alta, uma divisão bem distante das probabilidades superiores a 90% que costumam anteceder as reuniões do banco central americano.

Para o especialista, a incerteza reflete a postura adotada pelo novo presidente do Fed, Kevin Warsh. Em sua primeira decisão no comando da instituição, ele reforçou o compromisso com o combate à inflação, mas evitou indicar o rumo da política monetária nas próximas reuniões.

“Historicamente, o Fed evita surpreender o mercado: usa discursos coordenados, minutas, dot plots [diagrama oficial que mostra as previsões dos dirigentes do Fed para o rumo da taxa básica de juros] e até vazamentos controlados à imprensa para alinhar as expectativas antes de cada decisão”, afirma o especialita.

Sem isso, na avaliação de Issa, a decisão desta quarta deve ser acompanhada de volatilidade acima do habitual, não necessariamente pela definição da taxa de juros, mas pela falta de sinalizações sobre os próximos passos da política monetária.

Bruno Yamashita acrescenta que, nesta terça, o mercado também acompanha os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, à espera de possíveis avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã.

No último fim de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, suspendeu os ataques pontuais ao Irã após ser advertido pela cúpula militar americana de que a campanha não estava surtindo efeito. Apesar disso, o regime iraniano rejeitou, na segunda-feira (27), retomar as negociações de paz. A trégua ocorreu após 13 noites consecutivas de ofensivas contra Teerã.

A interrupção dos ataques pressionou os preços do petróleo. Na segunda-feira, o Brent, referência internacional da commodity, fechou em queda, com o barril negociado a US$ 88,05 por volta das 17h, recuo de 9,03%. Às 14h57 desta terça, o barril era negociado a US$ 84,50, com variação negativa de 4,37%.


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