IPCA-15 vem abaixo do previsto e reforça indicativo de corte de juros

Rio e São Paulo, 28 – O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu 0,06% em julho, após avançar 0,41% em junho, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a terceira desaceleração consecutiva do índice, que serve como prévia da inflação “cheia” no mês. Com o resultado, bancos e analistas passaram a revisar para baixo as previsões para a inflação no ano e reforçaram o indicativo de corte dos juros pelo Banco Central (BC) em agosto

Segundo o IBGE, o índice acumula alta de 3,51% no ano. Em 12 meses, a alta foi de 4,52%, acima do teto da meta perseguida pelo BC, de 4,5%, mas abaixo dos 4,8% registrados até junho.

O resultado ficou abaixo do piso das expectativas da pesquisa Projeções Broadcast, de 0,17%. O teto era de 0,28%, com mediana de 0,21%. O índice acumulado em 12 meses também ficou abaixo do piso das projeções, de 4,63%. O teto era de 4,74%, com mediana de 4,67%.

Para o economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho, os dados reforçam a aposta em um novo corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic, que já era majoritária no mercado. Ele ressalta, porém, que, embora a decisão de agosto seja mais previsível, a continuidade do afrouxamento monetário dependerá, em grande medida, do desenrolar da guerra no Oriente Médio, que completa cinco meses. “Provavelmente o presidente do Banco Central (Gabriel Galípolo) irá manter o tom austero neste mês, mesmo que haja possibilidade de novo corte em setembro.”

Na XP, a economista Basiliki Litvac afirma que o dado de julho “deve dar respaldo” a um novo corte da Selic.

Com o resultado, o Barclays reduziu ontem sua projeção para a alta do indicador oficial de inflação em 2026, de 5,2% para 4,9% “A maior parte da nossa surpresa baixista veio de transportes, onde os preços subiram menos do que esperávamos”, escreveu o economista-chefe do Barclays, Roberto Secemski, em relatório.

EM QUEDA

Dos nove grupos pesquisados, habitação apresentou a maior variação e o maior impacto, de 0,97% e 0,15 ponto porcentual, respectivamente. Na outra ponta, o grupo alimentação e bebidas registrou a menor variação e o menor impacto, com queda de 0,66% e contribuição negativa de 0,15 ponto – após alta de 0,74% em junho. Os demais grupos ficaram entre a queda de 0,33% de vestuário e a alta de 0,28% de saúde e cuidados pessoais.

No grupo habitação, a energia elétrica residencial subiu 3,03%, sendo o principal impacto individual no resultado do mês, com 0,12 ponto porcentual.

T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
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