O Itaú Unibanco teve um grande prejuízo com a Americanas e não foi conivente com o escândalo financeiro da varejista Lojas Americanas, afirmou o CEO da instituição financeira Milton Maluhy nesta quarta-feira (5).
“Como é que os bancos podem ser coniventes de uma fraude em que os bancos perdem dinheiro? É ilógico imaginar que você, que acaba sendo mais uma vítima relevante da fraude, possa ter participado desta fraude em que você perde bilhões de reais”, afirmou o presidente do Itaú ao ser questionado pelos recentes desdobramentos da investigação sobre a varejista.
Ao fim de junho, dois executivos do banco à época das fraudes José de Castro Araújo Rudge e Gustavo Balassiano foram uns dos alvos da segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal.
Também foram alvos Beto Sicupira (um dos três principais acionistas da Americanas) e Paulo Alberto Lemann (ex-conselheiro e filho de outro dos principais sócios da rede, Jorge Paulo Lemann). A PF ainda investiga executivos do Bradesco e do Santander.
“Estamos está diante de umas maiores fraudes já vistas no país. O caso do Americanas é bem emblemático. E, saindo do ambiente da companhia, dos administradores, todos os demais no entorno são vítimas de uma fraude gigantesca. É importante pontuar que o sistema financeiro, como um todo, teve perdas bilionárias no caso”, afirmou Maluhy a jornalistas, durante entrevista sobre o resultado do banco no segundo trimestre deste ano.
Ainda segundo o executivo, mesmo considererando as receitas geradas nos períodos anteriores do estouro da fraude, como as operações de risco sacado, o saldo para os bancos é negativo.
“Se você puser na balança as receitas menos as perdas de crédito, o saldo é super negativo. Então, fazer uma fraude, que você sabe que vai explodir e que os bancos vão ter perdas bilionárias, é uma fraude ilógica”, disse o CEO do Itaú.
Maluhy também reafirmou que os bancos não tinham visibilidade do panorama contábil da varejista e não sabiam o real tamanho da dívida.
“Na época, a empresa [Americanas] discutia com o sistema [bancário] se classificava as suas operações entre endividamento bancário ou endividamento de fornecedor. Ninguém imaginava que eles estavam ocultando o passivo.”
Segundo o executivo, o banco parou de operar com a Americanas quando o escândalo veio à tona.
Investigações apontam que executivos da Americanas negociavam diretamente com os bancos a retirada das informações sobre risco sacado nas cartas de circularização enviadas aos auditores, de modo a ocultar essa dívida.
“Sempre fomos muito exigentes nas informações e dados que teriam que ser prestados e a carta de circularização é apenas um apoio para o auditor, mas a responsabilidade pela contabilidade é da companhia e o auditor tem um papel super relevante e ele pode se valer da carta de circularização”, afirmou Maluhy.
“Eu não tenho dúvida que com os dados corretos, com as informações, vai ficar claro na justiça de quem foi a culpa e a responsabilidade”, completou o CEO do Itaú Unibanco.
ITAÚ BUSCA CLIENTES MENOS ARRISCADOS
Ao comentar os números do segundo trimestre, Maluhy reforçou a tese do banco de dar crédito aos clientes menos arriscados, em linhas menos arriscadas, especialmente em um contexto de juros altos.
Dessa forma, o Itaú tem priorizado o crédito consignado CLT e o crédito imobiliário.
Para analistas do mercado, esse apetite ao risco um pouco menor tende a ser compensado pelo corte de custos promovido pelo banco.
“Temos conforto de que a estratégia de investimentos em tecnologia permitirá que o banco acelere os seus ganhos de eficiência nos próximos anos”, afirma Bruno Benassi, da Monte Bravo Corretora.
Já o BTG Pactual disse que continua vendo o Itaú como o banco tradicional mais bem posicionado no Brasil.
“Acreditamos que sua vantagem competitiva em relação aos pares deve continuar a aumentar ao longo do tempo”, escreveram os analistas do BTG.
RAIO-X | ITAÚ UNIBANCO NO 2º TRI DE 2026
- Fundação: 2008, ano de fusão do Banco Itaú e do Unibanco
- Lucro líquido: R$ 12,4 bilhões
- Clientes: 70 milhões
- Agências: 1.663
- Funcionários: 90,4 mil
- Principais concorrentes: Bradesco, Santander, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Nubank