Dólar oscila e Bolsa avança com mercados atentos ao Oriente Médio

Dólar sobe para R$ 5,248 com indicação de Warsh ao Fed por Trump
Dólar sobe para R$ 5,248 com indicação de Warsh ao – Reprodução

JÚLIA GALVÃO
FOLHAPRESS


O dólar está oscilando nesta terça-feira (18), em meio à piora dos mercados globais diante da escalada das tensões no Oriente Médio, que pressiona os preços do petróleo e renova as preocupações com a inflação. Às 14h40, a moeda tinha alta de 0,29%, cotada a R$ 5,214.

Apesar do aumento das preocupações com o conflito, Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX, afirma que não há, na agenda do dia, fatos ou indicadores de grande relevância que possam provocar impacto significativo nas operações do mercado de moedas.

“Existem alguns fatores que merecem atenção, mas a sensibilidade do mercado de divisas a esses eventos é menor neste momento. Portanto, não se espera uma alteração expressiva ao longo do dia, a menos que surja algum acontecimento fora do radar”, diz.

O Ibovespa opera perto da estabilidade. Às 14h41, o índice tinha alta de 0,05% aos 166.879 pontos, após fechar a véspera (17) em queda de 0,09%, aos 166.784 pontos, no décimo pregão consecutivo de baixa.

Fora do índice, as ações das Casas Bahia recuaram 33% na véspera, após a empresa entrar com pedido de recuperação judicial.

Nesta terça, o principal negociador de Teerã, Mohammad Baqer Qaliba, afirmou que o estreito de Hormuz permanecerá fechado até que os Estados Unidos cumpram as condições de um acordo provisório firmado com o Irã em junho.

As exigências incluem que os EUA encerrem o bloqueio aos portos iranianos, suspendam as sanções ao petróleo, liberem ativos iranianos congelados e interrompam ameaças e operações militares, segundo Qalibaf.

Pela passagem, considerada estratégica para o comércio global, circulava antes da guerra cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo. A possibilidade de restrições prolongadas à circulação pelo estreito mantém o mercado atento aos efeitos sobre os preços de energia e a inflação.

Às 14h42, o petróleo Brent era negociado a US$ 91, com alta de 0,37%. O DXY, índice que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, operava em estabilidade.

Segundo Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, a possibilidade de interrupções em Hormuz tem dimensão suficiente para transformar uma disputa regional em um problema monetário global. Os juros de longo prazo avançam nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Japão, enquanto investidores exigem mais prêmio para financiar governos por décadas, em um ambiente em que a energia mais cara ameaça reacender a inflação nas economias desenvolvidas.

Leonel Mattos acrescenta que, nos Estados Unidos, os Treasuries -títulos de dívida do governo americano- de 30 anos atingiram a maior taxa desde 2007. Às 14h46, os papéis operavam em queda de 0,38%, enquanto os Treasuries de 10 anos tinham queda de 0,34%.

Além disso, Mattos afirma que há uma preocupação crescente com o cenário fiscal. O déficit público dos Estados Unidos permanece bastante expressivo, enquanto o Japão também enfrenta um quadro fiscal desafiador. Segundo o especialista, há ainda a perspectiva de aumento dos gastos públicos na Alemanha, o que pode ampliar o déficit do país. “Essas preocupações com a expansão dos gastos governamentais também contribuem para que os investidores exijam rendimentos maiores”, diz.

A agenda dos Estados Unidos também está no radar dos investidores, com a espera por dados de produção industrial, construção de moradias e vendas pendentes de imóveis. Segundo Olívia, o mercado avalia os sinais de desaceleração da atividade americana ao mesmo tempo em que o petróleo e os juros longos permanecem pressionados, o que pode limitar o espaço para cortes de juros pelo Fed (Federal Reserve, o banco central americano).

Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, diz que o aumento da tensão no Oriente Médio também devolve pressão às curvas de juros brasileiras, limitando o alívio que dados mais fracos de atividade econômica poderiam trazer. Segundo ele, o cenário coloca o BC (Banco Central) diante do dilema entre cortar a Selic em setembro para apoiar uma economia em desaceleração ou manter o ritmo de juros diante de um choque de custos que pode contaminar as expectativas de inflação.

Ainda assim, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) operavam em leve queda na manhã desta terça-feira. Às 13h10, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,960%, queda de 0,04 ponto percentual. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,775%, alta de 0,02 ponto percentual.

Em Wall Street, as Bolsas estão em queda. Às 13h12, o S&P 500 recuava 0,53%, o Dow Jones caía 0,19%, enquanto o Nasdaq recuava 1,19%.

Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue, diz que o principal destaque desta semana será nesta quarta-feira (19), com a divulgação da ata do Fed, que deve trazer mais detalhes sobre a visão dos formuladores de política monetária americana e os próximos passos em relação aos juros.

Na quinta-feira (20), o mercado acompanha o balanço do Walmart, maior varejista dos Estados Unidos.

De acordo com Yamashita, o resultado será importante para avaliar o comportamento do consumidor americano e entender como está a demanda das famílias em um cenário de juros ainda elevados.


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