Nesta quarta-feira (19), o presidente americano, Donald Trump, anunciou uma medida que pode resultar em mais tarifas dos Estados Unidos sobre importações do Brasil.
O republicano informou na rede Truth Social que implementará um “Dia D Econômico” contra o Irã, para forçar o país persa a assinar um acordo para encerrar a guerra iniciada em fevereiro.
“Qualquer país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou órgãos governamentais ofereçam qualquer tipo de tábua de salvação ao Irã enfrentará, ele próprio, consequências econômicas tremendas”, afirmou Trump, sem especificar quais consequências seriam essas – embora tarifas sejam o cenário mais provável.
“Contrabando de petróleo, linhas de swap, transferências de dinheiro, casas de câmbio, registros de navios, empresas de fachada — tudo isso precisa acabar agora. Vocês sabem quem são. Este será um Dia D Econômico, e precisamos que todos os nossos aliados se unam aos Estados Unidos da América para isolar e derrotar a ameaça representada pelo Irã”, acrescentou o presidente americano.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil, que integra os Brics ao lado do Irã, aumentou seu comércio com o país persa no primeiro semestre deste ano.
Entre janeiro e junho de 2025, o Brasil realizou exportações para o Irã que somaram US$ 1,16 bilhão e importou produtos no total de US$ 30,5 milhões – totalizando um comércio de US$ 1,190 bilhão.
No primeiro semestre deste ano, em meio à guerra do Irã contra Estados Unidos e Israel, as exportações do Brasil para o país persa subiram para US$ 1,34 bilhão, enquanto as importações tiveram uma leve queda e foram para US$ 29,5 milhões. Essas transações (totalizando US$ 1,37 bilhão) representaram uma alta de 15% em relação aos seis primeiros meses de 2025.
De acordo com o Observatório de Complexidade Econômica (OEC, na sigla em inglês), em junho, os principais produtos exportados pelo Brasil para o Irã foram soja, farelo de soja e milho, enquanto as principais importações brasileiras do país asiático foram de nozes, peças para espaçonaves, drones e equipamentos relacionados e medicamentos.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou em post no X que o “Dia D Econômico” de Trump é “uma cortina de fumaça diante da própria crise dos Estados Unidos” e uma forma de “terrorismo econômico” que “ameaça a economia mundial”.
A nova medida de Trump é anunciada logo após o Brasil ter sofrido novas tarifas dos Estados Unidos, depois da derrubada do tarifaço de 50% do ano passado.
Em julho, foi imposta uma tarifa de 25% sobre grande parte das importações do Brasil, sob a alegação de práticas comerciais injustas. No mesmo mês, foi aplicada uma sobretaxa de 12,5% ao Brasil sob o argumento de falhas no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado, justificativa que também motivou tarifas americanas a outras 59 economias.
O Brasil pode ser sobretaxado novamente pelos Estados Unidos por meio de um pacote de sanções contra a Rússia que está tramitando no Congresso americano e que prevê tarifas sobre importações de países que compram petróleo, urânio e gás natural russos, medida que visa pressionar o Kremlin a negociar um cessar-fogo com a Ucrânia.