Zema já admite manter valorização do mínimo e quer esperar para alterar idade para aposentar

São Paulo, 24 – Candidato a presidente, Romeu Zema (Novo) indicou durante sabatina no Jornal Nacional, da TV, Globo nesta segunda-feira, 24, que pode flexibilizar medidas do ajuste fiscal que vinha defendendo para as contas públicas brasileiras

Ele admitiu manter a atual política de valorização do salário mínimo, se as contas públicas permitirem, e disse que primeiro quer tentar arrecadar mais recursos para a Previdência Social por meio do aumento da formalização do emprego antes de alterar a idade mínima da aposentadoria.

“Por ora, não”, disse ele ao ser questionado se mexeria na idade mínima. “Nós vamos mexer à medida em que a expectativa de vida aumentar e depois de ver se não conseguimos arrecadar mais com a maior formalização”, afirmou Zema.

A declaração vai na contramão do plano de governo de Zema. O documento protocolado no TSE fala em criar “mecanismo de reajuste automático da idade mínima”, com “base na expectativa de vida da população”. O texto não coloca como condicionante o aumento da arrecadação por meio da formalização do emprego.

Antes, o ex-governador de Minas condicionava a medida somente aos cálculos atuariais. Em uma entrevista em maio, por exemplo, ele disse que poderia aumentar a idade mínima em seis meses nos próximos cincos anos. Ele não disse, nesta segunda, se pretende aumentar o tempo de contribuição, como defendeu em entrevistas ao longo dos últimos meses.

Zema foi sabatinado durante 40 minutos pela TV Globo. Os aliados argumentam que ele faltou ao debate de domingo, 23, organizado pela Band e pelo Estadão, para se preparar para a sabatina.

Na entrevista, Zema manteve, inicialmente, a proposta de conceder reajuste do salário mínimo apenas pela inflação. Depois, admitiu manter a regra atual, em que há crescimento real de acordo com a variação do PIB dos dois anos anteriores. “Se a economia estiver indo bem, as contas equilibradas, sim [poderia dar ganho real]”, afirmou ele.

Ainda na economia, ele defendeu um piso conjunto de gastos para saúde e educação sob o argumento em que há cidades com necessidades diferentes conforme o perfil demográfico.

Zema também foi questionado sobre o crescimento da dívida pública de Minas Gerais sob sua gestão. Como resposta, ele afirmou que “a dívida hoje representa muito menos para a economia mineira do que representava do que quando eu assumi” e que quitou débitos com fornecedores e o funcionalismo público.

O ex-governador de Minas Gerais também incentivou que as pessoas se vacinem – ele próprio tomou as doses necessárias durante a pandemia da covid-19 -, mas disse ser contra a obrigatoriedade da vacina.

“Eu não posso permitir que uma família seja perseguida porque alguém não tomou a vacino. Essa questão de ser obrigatório, transformar num crime, isso não pode acontecer num país democrático”, afirmou.

Zema também se opôs à condenação dos golpistas do 8 de Janeiro. Ele declarou que concederia anistia ou ao menos um novo julgamento em um tribunal que não seja “político”.

“O que nós vimos no Brasil foi perseguição”, disse. “Na minha opinião, comete crime quem leva o crime adiante. Quem pensou, ou até idealizou, mas não levou [o crime até a consumação], pra mim não cometeu no crime”, acrescentou Zema.

No caso do crime de golpe de Estado, a mera tentativa é penalizada. O argumento é que se o crime for consumado, os autores não poderão ser punidos porque terão derrubado o Estado Democrático de Direito, que permite a penalização, e assumido o Poder.

Na segurança pública, Zema declarou que o Brasil pode adaptar medidas implantadas por Nayib Buele em El Salvador – a gestão dele é criticada por violação dos direitos humanos e encarceramento em massa.

T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
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