Número de professores de ensino médio com menos de 24 anos cai 30% em dez anos no país


ISABELA PALHARES
FOLHAPRESS

A parcela de professores com menos de 24 anos que dão aulas para o ensino médio nas escolas do país caiu mais de 30% no país nos últimos dez anos. A conclusão é da pesquisa Apagão dos Professores, feita pelo Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo).

Divulgada nesta quarta-feira (16) no Fnesp (Fórum de Ensino Superior da América Latina), em São Paulo, a pesquisa identificou queda significativa de professores das menores faixas etárias atuando nas escolas básicas do país. Os dados mostram que a dificuldade em atrair jovens para a carreira docente tem prejudicado a reposição de profissionais para atuar em sala de aula.

Segundo o estudo, entre 2015 e 2025, o número total de professores que atuam nas escolas públicas do país no ensino médio aumentou 6,6%. No ano passado, cerca de 557,4 mil docentes atuavam nessa etapa.

A composição etária, no entanto, mudou significativamente nesse período: com o aumento de profissionais acima de 60 anos e a redução daqueles em início de carreira.

A análise foi feita com dados fornecidos pelo Censo Escolar, do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais). Eles mostram que, na faixa etária até 24 anos, o número de professores atuando nessa etapa passou de 17.320, em 2015, para 11.937, em 2025 —uma redução de 31,1%.

A faixa etária seguinte, dos 25 a 29 anos, também sofreu queda significativa de professores nesse período, passando de 62.481 para 50.088 —uma redução de 19,8%. Também houve queda de 12,3% entre os profissionais de 30 a 39 anos, que passaram de 179.319 para 157.254.

O estudo mostra ainda que, na outra ponta da pirâmide etária, houve movimento contrário com o aumento na proporção de professores. O maior crescimento ocorreu entre os profissionais mais velhos, acima de 60 anos. Eles passaram de 18.243 para 37.301 nesse período —um aumento de 104,5%.

Na faixa etária de 55 a 59 anos, o aumento foi de 48,2%, passando de 31.105 professores para 46.108, entre 2015 e 2025.

Para Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp, o país vive um processo de envelhecimento do quadro de professores diante da baixa atratividade da carreira. O estudo destaca que os problemas da profissão vão além dos baixos salários, mas também da redução dos cargos concursados e efetivos e da baixa percepção de respeito em relação ao professor.

“Enquanto diminui a presença de professores jovens, cresce o contingente de profissionais mais velhos e também aumenta a utilização de contratos temporários, que não asseguram a mesma estabilidade dos cargos efetivos. O resultado é um quadro que consegue responder a necessidades imediatas de contratação, mas apresenta dificuldades crescentes para garantir a reposição e a permanência de professores no médio e longo prazos”, diz Capelato.

O estudo também identificou mudança relevante no tipo de contratação do quadro docente da rede pública. Entre 2015 e 2025, o número de professores com contrato temporário cresceu 40,4%, passando de aproximadamente 146 mil para 205 mil. A participação desses profissionais com contratos temporários no quadro público saltou de 32,2% para 43,4%.

Já o número de professores concursados, efetivos ou estáveis caiu de aproximadamente 305 mil para 255 mil, reduzindo sua participação de 67,2% para 54,1%. Em números absolutos, foram cerca de 50 mil professores efetivos ou estáveis a menos e 59 mil temporários a mais no período.

Para Capelato, a contratação temporária atende uma necessidade imediata das redes de ensino, mas precariza a relação de trabalho.

Além da instabilidade quanto à garantia de trabalho, os temporários também não são contemplados nos planos de carreira dos governos estaduais. Ou seja, eles não têm a chance de progredir e, consequentemente, alcançar salários mais altos.


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