Jogo do Conflito: escritor cria game inspirado na comunicação não-violenta

Redação Jornal de Brasília/Agência UniCeub
Por Ana Carolina Rubo

Lançado em agosto, o Jogo do Conflito se baseia em rodadas de conversa e escuta inspiradas na comunicação não violenta. Cada jogador recebe um arquétipo — um estilo específico de se comunicar — e os participantes conversam sobre um tema definido; ganha mais pontos quem adivinhar corretamente o arquétipo dos outros jogadores.

Os arquétipos são perfis de comunicação baseados em estratégias que usamos nos diálogos do dia a dia. O criador do jogo, cujo nome artístico é Davi (@odesconhecidodavi), conta que se inspirou nos signos do zodíaco durante o processo de criação.

“Os arquétipos precisavam compor uma coisa lógica, mas que não fosse necessariamente óbvia no que tange a interpretação”.

Os temas discutidos em cada rodada são chamados de “carta tema” e trazem assuntos instigantes como justiça, finanças, política, responsabilidade afetiva, intimidade e livre-arbítrio.

Mais do que pontuar, é preciso interpretar

O verdadeiro objetivo do jogo não é apenas marcar pontos, mas estimular a habilidade de interpretar corretamente o outro e de sustentar, de forma estratégica, o arquétipo recebido.

“O jogo convida você a defender uma ideia ou conversa que lhe é própria através da luz de um outro filtro. Isso perpassa a possibilidade de você inclusive defender uma ideia que não lhe é própria na vida real”, explica Davi.

Para o criador, o jogo tem também um potencial de autoavaliação, ao colocar o jogador diante de formas de comunicação pouco praticadas no cotidiano: “defender, argumentar e prestar atenção no outro, o que muitas pessoas não estão habituadas. Tentar entender o que o outro (jogador) está trazendo, e o que que você traz de acordo com as possibilidades”.

Arquétipos que expõem vulnerabilidades

Alguns arquétipos levam a dinâmicas mais desconfortáveis — e é justamente aí que mora parte do potencial reflexivo do jogo, segundo Davi: “Existem alguns arquétipos que vão explorar algumas dinâmicas de ainda mais vulnerabilidade. Por exemplo, tem o Invasivo. Ele vai usar a estratégia de fazer sugestões constrangedoras para causar desconforto. Isso por si só para algumas pessoas pode acessar lugares, às vezes familiares, que alguém trate ela assim e ela nunca se viu nessa posição”.

Autoconhecimento com leveza

Para Davi, o maior valor do jogo está em como ele permite que as pessoas se olhem sem o peso das cobranças da vida adulta: “O que mais me comove é ver as pessoas se conhecendo, e se auto-analisando sob um viés lúdico, divertido, sem aquela pressão, culpa ou auto exigência que a vida adulta traz”.

A proposta parte do princípio de que os conflitos existem, mas convida os jogadores a repensar a forma como lidam com suas questões internas e também com os conflitos externos. “A ideia é que com o passar do tempo, as pessoas se familiarizando com a dinâmica do jogo, elas tragam um tema real, de um conflito real que os participantes estão vivendo para ser jogado”, conta o criador.

O Jogo do Conflito está disponível em versão digital para iOS e Android, e permite partidas a distância.

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira e Lourenço Cardoso

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