Igreja documenta 304 mártires na América Latina mortos neste século

A Igreja Católica documentou 304 mártires na América Latina até o momento neste século. São homens e mulheres assassinados não apenas por professar sua fé, mas também por defender os pobres, confrontar o crime organizado e proteger a criação. Suas histórias fazem parte de um catálogo global de mártires promovido pelo Vaticano que já ultrapassa 1.700 casos documentados.

“Muitos foram assassinados por razões relacionadas ao narcotráfico, ao desmatamento ou por se oporem à exploração de recursos naturais”, explicou o cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos.

O cardeal observou que, embora muitos fossem missionários, o grupo também incluía fiéis leigos que deram suas vidas defendendo o Evangelho e denunciando narcotraficantes, protegendo territórios indígenas do desmatamento ou combatendo a exploração ilegal de recursos naturais. Como ele explicou, o fio condutor nesses casos é que esses indivíduos se tornaram “inconvenientes” para aqueles que controlam atividades ilícitas. Seu testemunho evangélico entrou em choque direto com interesses econômicos e estruturas criminosas.

Semeraro ofereceu essas reflexões ao apresentar a conferência internacional “O Século XXI: Uma Nova Era de Mártires?” no Vaticano, um dia de estudo e reflexão dedicado a explorar o testemunho de cristãos que perderam suas vidas por causa do Evangelho em várias partes do mundo. O encontro, organizado pela Comissão para os Novos Mártires — Testemunhas da Fé, estava programado para ocorrer em 15 de setembro no Instituto Pontifício Agostiniano em Roma.