Investigação sobre elos do PCC no transporte atinge todas as concessionárias de linhas de bairro de SP

Empresa investigada por relação com PCC exporta ao Panamá carga do SUS vetada pela Anvisa
Empresa investigada por relação com PCC exporta ao Panamá carga – Reprodução

A investigação da Polícia Civil e do MP-SP (Ministério Público de São Paulo) contra a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no transporte coletivo paulistano atinge todas as concessionárias à frente das linhas de distribuição, voltadas ao atendimento nos bairros da capital paulista.

A informação consta da representação que deu origem à operação desta quinta-feira (17) que tem como alvo de um mandado de prisão o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Milton Leite (União Brasil). Outras 15 pessoas foram presas, e 18 endereços sofreram busca e apreensão.

As únicas linhas locais sobre as quais não há suspeita de elo com o PCC são as antigas rotas da Transwolff, que hoje estão sob responsabilidade direta da estatal SPTrans após o rompimento do contrato com a prefeitura. A medida se deu exatamente devido às suspeitas de ligação da empresa com a facção.

O sistema de transporte coletivo em São Paulo é dividido em três lotes. O primeiro exige veículos grandes e faz ligações entre grandes eixos da cidade. O segundo, chamado de articulação regional, abrange ônibus de médio porte e liga bairros a corredores. Já o terceiro, menor, abarca somente linhas de bairro.

É neste último que se encontram as empresas suspeitas de manter relações com a facção.

A Prefeitura de São Paulo disse em nota ter criado um grupo de trabalho para analisar os elementos da investigação e que “está analisando rigorosamente os contratos, documentos e eventuais vínculos com os fatos investigados na operação”. Afirmou também que “não compactua com qualquer irregularidade e seguirá colaborando integralmente com as autoridades competentes”.

Ao todo, dez concessionárias operam as linhas do terceiro lote. A representação que deu origem à operação desta quinta fala ainda em outra, a UpBus, mas o contrato dela não está mais vigente.
A empresa não atendeu aos telefonemas realizados na tarde desta quinta-feira.

Segundo a polícia e o MP-SP, ela e as demais empresas que operam as linhas locais guardam relação com o PCC em algum grau.

No caso da antiga Transcap, hoje chamada Auto Bless, o Ministério Público diz que o elo se dá por meio de um sócio preso preventivamente acusado de extorsão e vínculos com a facção criminosa.

Procurada por telefone na tarde desta quinta, a empresa pediu para que a reportagem entrasse em contato nesta sexta (18).

A Transunião, por sua vez, foi alvo de uma operação no primeiro semestre deste ano que apurava os crimes de extorsão, lavagem de dinheiro e o assassinato de seu ex-diretor Adauto Soares Jorge.

A operação contra a Transunião culminou na prisão do vereador Senival Moura (PT), que nega irregularidades.

A reportagem ligou para a Transunião nesta quinta. Uma telefonista disse à reportagem para ligar num outro número de telefone, que não atendeu.

A MoveBus, diz a Polícia Civil, foi arrolada em inquéritos da Polícia Federal por manter elos com a irmã de Roberto Soriano, o “Tiriça”, membro da cúpula do PCC.

O caso mais detalhado pela investigação é o da A2 Transportes. Segundo as investigações, o proprietário da companhia, Paulo Sirqueira Korek Farias, mantinha um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC dentro da empresa. A polícia cita também áudios nos quais representantes da companhia combinam pagamentos ilícitos.

Tanto a A2 como seu proprietário negam irregularidades. “A A2 Transportes nunca teve envolvimento com o PCC e jamais fez lavagem de dinheiro. Nossos recursos são provenientes exclusivamente dos contratos e pagamentos realizados pela Prefeitura pelos serviços que prestamos”, afirmou Paulo Korek.

Sem dar mais detalhes, ele disse que a operação tem “forte componente político”.

A gestão Nunes, enquanto isso, afirmou que “decidiu pelo afastamento imediato, em até 24 horas, dos integrantes da diretoria da empresa A2 Transportes citados na operação”. A administração não descarta decretar intervenção sobre a empresa.

A operação cita também as suspeitas envolvendo a Transwolff, cujo verdadeiro dono segundo a polícia é o Milton Leite.

A assessoria de imprensa da Transwolff disse que o ex-vereador “nunca teve qualquer participação societária na Transwolff, nunca participou da gestão ou ‘deu ordens’ na empresa”. Ainda segundo ela, “tal afirmação está completamente equivocada e dissociada da realidade”.

Em outros casos, por sua vez, a suposta relação entre as empresas e a facção criminosa é pouco detalhada nos documentos aos quais a reportagem teve acesso.

Isso acontece para a Alfa Rodobus, que assumiu as linhas da UpBus. Para a polícia, a sucessão da UpBus pela Alfa “demonstra a influência e o grau de comprometimento e contaminação do setor de transportes com a presença do crime organizado”.

Procurada na tarde desta quinta pela reportagem, a Alfa Rodobus disse que não poderia se manifestar porque todos os seus funcionários estariam em treinamento.

Há também menções à Nortebuss em razão do passado, quando se chamava Transcooper. A polícia cita relações da empresa com o PCC em meados de 2015. Não há mais detalhes nos documentos aos quais a reportagem teve acesso.

LISTA DE EMPRESAS SOB SUSPEITAS DE ELO COM O PCC, SEGUNDO O MINISTÉRIO PÚBLICO

Transwolff Transportes
Empresa nega irregularidades e diz que Milton Leite nunca exerceu posição de comando na companhia.
Qualibus Transportes
Atual UpBus, não atendeu aos telefonemas feitos pela reportagem na tarde desta quinta-feira.
Transunião Transportes
A reportagem ligou para a Transunião nesta quinta. Uma telefonista disse à reportagem para ligar num outro número de telefone, que não atendeu.
Alfa Rodobus Transportes
Procurada na tarde desta quinta pela reportagem, a Alfa Rodobus disse que não poderia se manifestar porque todos os seus funcionários estariam em treinamento.
Viação Transcap Transportes
Atual Auto Bless foi procurada por telefone na tarde desta quinta e pediu para que a reportagem entrasse em contato nesta sexta (18).
A2 Transportes
Tanto a A2 como seu proprietário negam irregularidades. “A A2 Transportes nunca teve envolvimento com o PCC e jamais fez lavagem de dinheiro. Nossos recursos são provenientes exclusivamente dos contratos e pagamentos realizados pela Prefeitura pelos serviços que prestamos”, afirmou Paulo Korek. Sem dar mais detalhes, ele disse acreditar que a operação tem “forte componente político”.
Move Bus Transportes
Procurada na tarde desta quinta-feira (17) por telefone, um porteiro disse que todos os funcionários já haviam ido embora. Ele não informou outros telefones.
Pessego Transportes
Reportagem encaminhou mensagem por WhatsApp. Empresa acusou o recebimento, mas não deu retorno ao pedido.
Allianz Transportes
Atual Allibus foi procurada por meio de email enviado ao departamento jurídico da empresa, mas não houve resposta até a publicação deste texto.
Norte Bus Transportes
Disse que toda a diretoria está em reunião e que não se pronunciaria nesta quinta.
Spencer Transportes
Anotou o telefone da reportagem e disse que daria retorno, mas não se pronunciou
Imperial
Reportagem não conseguiu contato com a empresa.

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Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
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