Inteligência artificial aproxima finanças, dados e estratégia nas empresas

A inteligência artificial vem alterando a forma como as empresas analisam resultados,
projetam cenários e tomam decisões. Em áreas financeiras, o movimento é especialmente
significativo: atividades antes concentradas na elaboração de relatórios históricos
passaram a envolver previsões dinâmicas, simulações, análise de sensibilidade e apoio
direto à estratégia.

Essa transformação aumenta a importância de profissionais capazes de transitar entre
finanças corporativas, tecnologia e análise de dados. É nessa interseção que se desenvolve
a trajetória de Cesar Lopes Maçol Costa, executivo brasileiro que reúne experiência em
planejamento financeiro, automação, gestão de desempenho e inteligência artificial
aplicada às organizações.

Atualmente, Cesar atua como Manager na área de Finance Transformation da Ernst & Young
(EY), em Houston, nos Estados Unidos. O trabalho envolve a modernização de funções de
Financial Planning & Analysis (FP&A), área responsável por conectar orçamento, previsões,
desempenho e estratégia dentro das empresas.

Em vez de limitar a análise ao que já aconteceu, as equipes de FP&A trabalham com
perguntas sobre o que pode acontecer e quais decisões podem alterar os resultados. Para
isso, precisam combinar dados confiáveis, processos organizados, ferramentas
tecnológicas e capacidade de interpretar diferentes cenários.

A formação de Cesar acompanha essa mudança. Engenheiro de Produção pela
Universidade Federal Fluminense, ele possui MBA e mestrado em Business Analytics pela
Kelley School of Business, da Indiana University. O percurso acadêmico aproximou
conhecimentos de finanças, tecnologia, analytics e supply chain.

Da operação internacional à transformação

A carreira começou no Brasil, em 2009, com passagens pela ExxonMobil e pela Accenture.
Na consultoria, Cesar participou de projetos de integração de sistemas, gestão de
desempenho e finanças para empresas de telecomunicações. Também esteve envolvido
em uma iniciativa voltada à ampliação do acesso à telefonia fixa em áreas de baixa renda e
regiões remotas.

Na Clinrio, participou da implantação de um sistema ERP, da redefinição de processos e da
criação de indicadores para a liderança. A experiência aproximou sua atuação das áreas de
tecnologia, operação e gestão financeira, além de mostrar como a qualidade da informação
pode influenciar decisões de gestão.

Foi na Vale que a trajetória ganhou dimensão internacional. Depois de atuar no Rio de
Janeiro em projetos de gestão econômica, tecnologia e desempenho, Cesar foi expatriado
para Tete, em Moçambique, onde trabalhou na operação de carvão da companhia.

Em um ambiente operacional complexo, liderou uma equipe de 12 pessoas responsável
por mapear e otimizar custos, investimentos, quadro de pessoal e resultados operacionais.
Também desenvolveu análises de produtividade e painéis em tempo real para diferentes
áreas da operação.

O trabalho contribuiu para um aumento de 20% na produtividade em menos de dois anos.
Nesse período, Cesar criou mais de 30 dashboards e relatórios para dez áreas e treinou
mais de 50 funcionários no uso de novas ferramentas de análise de dados.

A experiência também envolveu o desenvolvimento de sistemas de medição de contratos e
automação de processos. De acordo com os registros profissionais apresentados, as
iniciativas resultaram em economias estimadas em US 600 mil, respectivamente.

Mais do que implantar ferramentas, o desafio era compreender a realidade de cada
operação, organizar informações dispersas e transformar números em decisões práticas.
Essa experiência se tornaria uma base para o trabalho posterior de transformação
financeira.

Tecnologia e governança passam a orientar o planejamento

Depois da experiência em Moçambique, Cesar concluiu o MBA e o mestrado em Business
Analytics nos Estados Unidos. Durante a formação, aprofundou conhecimentos em
finanças, análise de dados e cadeia de suprimentos, além de participar de atividades de
liderança acadêmica.

Na EY, passou a liderar projetos voltados à transformação de áreas financeiras. Entre as
iniciativas estão a criação de dashboards para CFOs e executivos, o redesenho de processos
de forecasting em quatro regiões e a construção de modelos de planejamento de cenários e
análise de sensibilidade.

Em um desses projetos, equipes financeiras passaram a utilizar ferramentas como Power
BI, Power Apps e Power Automate para alterar variáveis-chave e visualizar com mais
rapidez os impactos sobre previsões e planos de longo prazo.

A inteligência artificial também passou a ocupar espaço central nesse trabalho. Em um
projeto de FP&A AI Insights, Cesar liderou uma prova de conceito para integrar informações
produzidas por inteligência artificial generativa aos processos de planejamento e análise
financeira, em colaboração com cientistas de dados e equipes de tecnologia.

A mudança não significa substituir a análise humana por uma ferramenta automática. O
objetivo é reduzir tarefas repetitivas, acelerar a leitura de informações e permitir que os
profissionais concentrem mais tempo na interpretação dos cenários, na discussão de
alternativas e na tomada de decisões.

Pesquisa mede ganhos e aponta limites da inteligência arti

A experiência profissional deu origem a uma pesquisa acadêmica. Em fevereiro de 2026,
Cesar publicou o artigo “Generative AI and Financial Planning & Analysis: Empirical
Evidence on Productivity Gains, Forecast Accuracy, and Implementation Success Factors”,
na PROMESTRE Journal of Innovation and Management.

O estudo combina uma revisão de evidências sobre o uso da inteligência artificial em FP&A
com uma prova de conceito realizada em ambiente organizacional real. Os resultados
apresentados apontaram redução de 45% no tempo do ciclo de forecasting e melhora de
38% na precisão das previsões.

“Os ganhos de produtividade de 30% a 50% são reais e reproduzíveis”, afirmou Cesar em
publicação no LinkedIn ao apresentar o estudo. Segundo os dados divulgados por ele, a
precisão das previsões melhorou 38%, enquanto o ciclo de forecasting foi reduzido em 45%.
A pesquisa também indica que a tecnologia, isoladamente, não garante bons resultados. O
retorno mediano das iniciativas de IA em finanças permanece próximo de 10%, enquanto
um grupo menor de organizações alcança resultados superiores a 20%.

“A lacuna não está na tecnologia. Está no que acontece antes de se tocar na tecnologia”,
resumiu Cesar. Para ele, infraestrutura, qualidade dos dados, redesenho de processos,
governança e preparação das equipes são fatores decisivos para que um projeto de
inteligência artificial produza impacto real.

A observação aproxima a discussão de um desafio comum às organizações: muitas
iniciativas começam pela escolha da ferramenta, mas não corrigem problemas anteriores
de processo, integração e responsabilidade. Sem dados organizados e sem clareza sobre
quem deve agir a partir das informações, a automação pode apenas acelerar uma rotina
que já não funciona bem.

O novo perfil dos profissionais de finanças

A transformação também muda o perfil esperado das equipes financeiras. O profissional
deixa de estar concentrado apenas na elaboração de relatórios históricos e passa a
trabalhar com cenários, simulações, previsões dinâmicas e apoio direto à liderança.

Nesse contexto, o conhecimento financeiro precisa caminhar ao lado da capacidade de
dialogar com cientistas de dados, equipes de tecnologia e executivos. A função passa a
envolver não apenas a interpretação dos números, mas também a explicação do que eles
significam e dos caminhos que podem ser seguidos.

A mudança alcança ainda os escritórios de projetos e as consultorias financeiras. Com
apoio da inteligência artificial, o PMO pode automatizar tarefas repetitivas, acompanhar
indicadores, identificar riscos e antecipar desvios. A experiência humana, porém, continua
necessária para interpretar cenários, conduzir mudanças e definir prioridades.

A trajetória de Cesar Lopes Maçol Costa reúne essas diferentes dimensões. Do início da
carreira no Brasil à experiência em uma operação de mineração em Moçambique,
passando pela formação em Business Analytics e pela atuação em transformação
financeira, ele construiu um percurso baseado na integração entre dados, processos e
estratégia.

Com a expansão do uso da inteligência artificial nas empresas, a tendência é que a
transformação financeira se torne cada vez mais dependente de profissionais capazes de
unir conhecimento técnico, visão de negócio e preparo para conduzir mudanças. O desafio
não está apenas em adotar novas ferramentas, mas em criar condições para que elas
produzam decisões melhores.

Mais do que acompanhar a evolução da inteligência artificial, Cesar participa desse
processo ao testar aplicações, medir resultados e pesquisar os fatores que determinam o
sucesso de uma implementação. Sua trajetória mostra que o futuro das finanças não será
construído apenas por máquinas ou planilhas, mas pela capacidade de transformar
informação em estratégia e tecnologia em valor para as organizações.

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Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
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