Banana-prata brasileira nos EUA: o desafio do frete

Uma banana-prata que sai da lavoura mineira por cerca de R$ 6,00 o quilo pode chegar ao consumidor nos Estados Unidos por R$ 90,00. A fruta é isenta de taxação, então não dá para colocar a culpa na política de tarifas do governo Trump.

A diferença exorbitante de preço na travessia do Atlântico impressiona, mas conta apenas uma parte da história. Há um mercado disposto a pagar por esta variedade de sabor suave e menos doce, ainda novidade para muitos consumidores americanos. O desafio é fazer com que ela chegue até lá com qualidade, regularidade e um custo que permita transformar embarques ainda pequenos em um negócio de maior escala.

O potencial aparece em meio a um paradoxo da fruticultura brasileira. O Brasil está entre os três maiores produtores mundiais de frutas, mas menos de 3% da produção nacional é destinada ao exterior, segundo a Abrafrutas (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados). Ainda assim, as vendas externas vêm crescendo. Entre janeiro e agosto deste ano, os embarques de frutas e nozes não oleaginosas, frescas ou secas, somaram US$ 880,52 milhões, alta de 23,67% sobre o mesmo período de 2025, conforme levantamento publicado pelo Comex do Brasil.

Desafio para associações e cooperativas

Na bananicultura, o País é o quarto maior produtor mundial, com 6,6 milhões de toneladas por ano. O setor movimenta cerca de R$ 13,8 bilhões e gera 500 mil empregos diretos, segundo a Embrapa Mandioca e Fruticultura. Metade da produção vem da agricultura familiar e a maior parte é absorvida pelo mercado interno. Lá fora, o mercado está concentrado principalmente na variedade Cavendish, do grupo da banana-nanica, em torno da qual os grandes exportadores mundiais construíram escala, transporte e canais de comercialização há décadas.