Brasil registra 177 processos por violência política de gênero em 2026

O número de processos relativos à violência política de gênero no país chegou a 177 em 2026, segundo o novo painel da Justiça Eleitoral, divulgado nesta terça-feira (22).

De 2019 pra cá, o país acumulou 392 ações judiciais, com origem em 224 municípios, de 21 estados. Atualmente, estão em tramitação 219 processos que envolvem assédio, constrangimento, perseguição ou ameaça a candidatas ou detentoras de mandato eletivo.

Os dados foram divulgados durante a mobilização “Violência Política TEM gênero“, promovida pela comissão TSE Mulheres, em parceria com a Ouvidoria do TSE e a Procuradoria-Geral Eleitoral, na sede da Corte, em Brasília.

A coordenadora da comissão do TSE Mulheres, juíza Renata Gil, ressaltou que o painel ainda está em aprimoramento para identificar todos os casos de violência política de gênero no país e combatê-los.

“Através desse painel, pelo mapa do Brasil, a gente tem condições de saber as ‘ondas de calor’, onde os crimes são cometidos com maior frequência.  E não quer dizer que um Estado não tem ocorrência de violência política. A gente vai poder avançar na pesquisa e entender porque que no Estado não existe um registro de ocorrência e um processo de violência política”.

Durante o debate, a ministra Estela Aranha, do TSE, destacou que esse tipo de violência desestimula a presença de mulheres na política.

“A violência contra a mulher silencia individualmente cada uma dessas mulheres. Essas formas de intimidação, esse construgimento moral expõe a sua família, seus filhos e ela sai da política. Mas ela também atinge a coletividade porque quando as outras mulheres veem isso acontecer, elas vão dizer: ‘por que eu vou entrar na política?  Esse lugar não é para mim’. Até porque quando elas são atacadas, elas têm dificuldade de se defender, de se posicionar. Então você tira as que estão, as que estão tentando e as que poderiam entrar ou pensarem entrar. É muito grave.”

 Samara Martins, da Unidade Popular (UP). Única candidata mulher à Presidência da República em 2026 Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Raquel Branquinho, procuradora regional da República falou sobre a violência de gênero e a baixa representatividade das mulheres nos municípios brasileiros.

“As mulheres são minoria em todos os espaços e todos os parlamentos. Nós temos mulheres sozinhas em câmeras municipais isoladas nesse país que sofrem violências diárias e nós temos mais de 700 municípios sem nenhuma participação política feminina. Nós temos  somente, 16 % de municípios com mulheres prefeitas.”

Ao fim do evento, o presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, reconheceu que ainda há trabalho a ser feito quando o assunto é violência política contra as mulheres.

Durante o evento, o TSE e a Procuradoria-Geral Eleitoral assinaram um protocolo de intenções para prevenção e enfrentamento desses casos.

Ouça mais 🎧:

TSE e entidades reforçam combate à violência política contra mulheres


T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
plugins premium WordPress