Milei diz que ‘está escrevendo uma página da história’ argentina ao receber prêmio em Paris

O presidente argentino, Javier Milei, defendeu nesta sexta-feira (2) sua política econômica e afirmou que “está escrevendo uma página da história” da Argentina ao receber um prêmio de um fórum privado em Paris.

O Paris Economic Forum, que reúne líderes empresariais, decidiu homenagear o economista ultraliberal com o “Prêmio da Ação Pública” pela “coerência e amplitude do programa econômico que promoveu como presidente”.

No início de seu discurso de cerca de 40 minutos, o ocupante da Casa Rosada agradeceu pelo reconhecimento de “uma tarefa bastante ingrata”, que tem custos, como as “mentiras” que “mancham o bom nome e a honra (…) da própria família”.

“Mas também há um elemento pelo qual vale a pena fazer isso: é que estamos escrevendo uma página da história”, afirmou.

Milei iniciou na quarta-feira (30) uma visita de três dias à França em busca de investimentos europeus para uma economia estabilizada, mas cuja recuperação e benefícios demoram a chegar, a ponto de gerar dúvidas sobre sua eventual reeleição daqui a um ano.

Desde sua chegada ao poder, no fim de 2023, com um programa de cortes maciços simbolizado pela motosserra usada na campanha, a inflação passou de 161% em 12 meses para 33%, as contas públicas foram equilibradas e as reservas cambiais foram parcialmente recompostas.

Esses quase três anos de austeridade, porém, enfraqueceram a indústria, o emprego e o consumo. A pobreza voltou a subir no primeiro semestre de 2026, afetando quase um em cada três argentinos, e a economia se contraiu 0,6% entre abril e junho devido à queda do consumo e do investimento.

Durante o discurso, Milei ressaltou o crescimento da Argentina e afirmou ter tirado “12 milhões de seres humanos” da pobreza, mas fez uma autocrítica sobre esse último ponto.

“Não estou dizendo que a foto seja boa, a foto continua sendo um horror, continua sendo horrível, mas é, sem dúvida, o melhor filme da história argentina”, declarou.

O presidente também agradeceu a seus ministros “gigantes” e, especialmente, aos “entes queridos”: “São eles que suportam os efeitos colaterais de termos tido a coragem de decidir mudar a história decadente de um país para torná-lo grande novamente”, disse, emocionado e com a voz embargada.

T CSM
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