Câmeras de segurança mostram que o homem cancelou a corrida a pedido da passageira e foi embora
Um motorista de aplicativo de 22 anos foi acusado de tentativa de estupro na última sexta-feira (22), em Aparecida de Goiânia, após uma passageira se sentir intimidada e acreditar que estava sendo levada para um local afastado contra a sua vontade. A situação resultou em uma campanha de difamação contra o motociclista.
Tudo começou quando uma passageira solicitou uma corrida pelo 99Pop. De acordo com Guilherme Henrique Martins, que trabalha há três anos como motorista de aplicativo, o GPS o direcionou para um local incorreto próximo a uma área de mata. A passageira, assustada, interpretou o desvio de rota como uma tentativa de ataque. Sem que o motociclista soubesse do seu pânico, ela pediu para encerrar a corrida, desceu da moto e foi embora.
“Ela não disse nada, só pediu para cancelar”, relatou Guilherme. O motoboy atendeu ao pedido, encerrou a viagem no aplicativo, recebeu o pagamento e seguiu para seu trabalho, realizando outras corridas normalmente.
A situação se agravou quando a passageira, acreditando ter escapado de uma tentativa de estupro, compartilhou sua versão dos fatos com um amigo. O homem, sem confirmar a história ou ouvir o lado do motorista, decidiu “alertar” a comunidade. Ele postou a foto de perfil de Guilherme e a placa de sua moto, obtidas no aplicativo, em um grupo de WhatsApp.
Na mensagem de áudio disparada no grupo, o homem afirmou: “Pessoal, boa noite, esse rapaz da foto, ele é Uber da 99… ele desviou a rota, entrou no meio do mato com minha colega. Ela pulou da moto e saiu correndo… então assim, quem tiver o costume de chamar 99, toma cuidado.”
A acusação chegou ao conhecimento da família de Guilherme quando seu pai, que também fazia parte do mesmo grupo, viu a publicação. Imediatamente, o pai do motociclista começou a defender o filho, fazendo um apelo para que não divulgassem informações falsas. A mãe e o próprio Guilherme também se manifestaram para esclarecer a situação.
Guilherme registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil, onde relata o caso de difamação e calúnia. Além disso, conseguiu imagens de uma câmera de segurança de uma residência próxima ao local onde parou a moto, comprovando que ele cancelou a corrida a pedido da passageira, e foi embora em seguida.
Pedido de desculpas
Pouco depois da divulgação, o próprio amigo que fez a postagem entrou em contato com Guilherme para se desculpar. Em um longo áudio, o homem admitiu ter agido por impulso, influenciado pela convicção da amiga e por ter consumido álcool.
“Naquele dia a gente estava em uma comemoração, eu tinha bebido umas quatro cervejas… aquela pessoa (a passageira) chegou com tanta convicção, ela conseguiu enganar quatro pessoas, estava tremendo. Acreditei nela e achei que eu estivesse ajudando. Quero te pedir desculpas pelos transtornos causados na sua vida”, disse o homem no áudio, oferecendo-se também para se desculpar pessoalmente.
Apesar das desculpas, Guilherme relatou ter se sentido mal com a acusação e afirmou que a situação é “muito grave e chata de se lidar”. O jovem relatou que após o ocorrido não teve contato com a mulher novamente.
A reportagem não conseguiu contato com a passageira, no entanto, reforçamos que o espaço permanece aberto para manifestações.
Tribuna Livre, com informações da Polícia Civil (GO)