Em entrevista ao Mais Goiás em setembro, Mabel reconheceu que grama sintética não havia funcionado ‘no primeiro momento’
O Ministério Público Estadual expediu recomendação ao prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, para que remova imediatamente toda a grama sintética que ele ‘plantou’ em canteiros centrais, praças, parques e demais áreas públicas da cidade. A promotora Alice de Almeida Freire cobrou a relação completa das áreas públicas onde foi instalada grama sintética, além de um plano de remoção e de recuperação ambiental, e reivindicou que a prefeitura suspenda imediatamente qualquer nova instalação de grama sintética.
Nos lugares onde há esse produto, a promotora solicita a substituição por grama natural e espécies nativas compatíveis com o ecossistema do Cerrado, e a restauração das funções ecológicas e drenantes do solo. Em agosto de 2025, o prefeito sinalizou disposição em testar essa grama no parque Vaca Brava e em canteiros centrais da região da rua 44.
“Grama sintética não esquenta mais”, garantiu o prefeito, que afirma ter medido a temperatura pessoalmente. “Fui medir a [temperatura da] grama sintética e é 2 graus mais baixo do que a grama [natural], essa grama que está seca aqui”, apontou durante evento na Castelo Branco, um dos locais em que houve mudança. Em setembro, em entrevista ao Mais Goiás, Mabel admitiu que essa foi uma “inovação” que não funcionou no primeiro momento.
Investigação
Alice Freire, que é da 7ª promotoria de Justiça de Goiânia, conduz procedimento instaurado para apurar a legalidade e a regularidade da substituição de grama natural por grama sintética, além dos seus impactos ambientais, urbanísticos, estéticos e sociais.
Nessa investigação, já foi constatado, conforme laudo da Coordenação de Apoio Técnico-Pericial (Catep) do MPGO, que não há qualquer benefício ambiental, ecológico ou financeiro, além da ocorrência de impactos negativos significativos em múltiplas dimensões.
O estudo, segundo o MP, registra que a grama natural desempenha funções ambientais indispensáveis, como regulação térmica, absorção de gás carbônico (CO₂), liberação de oxigênio, retenção de umidade, infiltração das águas pluviais e suporte à biodiversidade do solo. “A grama sintética é impermeável, inorgânica e termicamente isolante, ocasionando aquecimento excessivo e impermeabilização total da superfície”.
Tribuna Livre, com informações do MPGO










