Pesquisa aponta menor evasão e reprovação em colégios militares de Goiás

Pesquisa aponta menor evasão e reprovação em colégios militares de Goiás
Pesquisa aponta menor evasão e reprovação em colégios militares de Goiás | Imagem: Divulgação

Uma pesquisa sobre o modelo de Colégio Militar em Goiás, coordenada pelo professor de economia Jevuks Matheus de Araújo, da Universidade Federal da Paraíba, revelou que em 2019 essas instituições tiveram taxas de evasão e reprovação inferiores às da rede tradicional. O estudo, que analisou os ensinos fundamental e médio, identificou os principais fatores e resultados associados a esse desempenho.

Resultados do Estudo sobre o Modelo de Colégio Militar

Em 2019, os colégios militares goianos registraram um índice de 4% de evasão ou reprovação nos anos iniciais do ensino fundamental, 3% nos anos finais e 6% no ensino médio. Para o restante do Brasil, os mesmos indicadores foram de 10%, 6% e 11%, respectivamente. O levantamento também apontou uma diminuição na distorção idade-série, que ocorre quando um aluno está em uma etapa escolar inadequada para sua idade, e um desempenho superior em avaliações de língua portuguesa e matemática.

Análise e Limitações Metodológicas

Segundo o coordenador do estudo, Jevuks Matheus de Araújo, os resultados positivos estão ligados principalmente à melhoria do ambiente escolar, que se torna mais organizado e tranquilo, favorecendo o aprendizado. O pesquisador, contudo, reconhece limitações no estudo, como um possível viés de seleção, onde estudantes com desempenho historicamente baixo poderiam evitar se matricular nessas escolas. Para mitigar esse efeito, a pesquisa comparou taxas de aprovação e reprovação, que se mostraram similares às de escolas regulares. Araújo enfatiza que os efeitos são específicos do modelo goiano, implementado nos anos 2000, e que a replicação em outros estados não garante os mesmos resultados, necessitando de estudos locais prévios.

Interpretações e Contrapontos ao Modelo

Olavo Nogueira Filho, diretor-executivo do Todos Pela Educação, sugere que os dados sejam analisados com cautela. Ele argumenta que os resultados não podem ser atribuídos somente à disciplina e aos ritos militares. Nogueira Filho aponta que a transição para o modelo militar frequentemente envolve maior atenção do poder público, reforço na gestão, melhorias administrativas, garantia de professores para todas as turmas e mais oportunidades de formação para os docentes. Ele também observa que o modelo cívico-militar pode conflitar com princípios educacionais mais amplos, como a valorização das diferenças, a construção da autonomia do estudante e o desenvolvimento de relações baseadas em confiança. Apesar dos indicadores favoráveis em Goiás, a pesquisa conclui que o programa deve ser visto como uma das alternativas dentro de um conjunto de políticas educacionais, e não como uma solução única para os desafios da educação pública.

T LB
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