Essas informações também mostram que a ilha registra um aumento importante — embora ainda pouco eficaz — da geração de energia solar, a partir da instalação de cerca de 40 parques solares no ano passado.
O monitoramento mostra que essa tendência se manteve na primeira quinzena de 2026.
A UNE publica diariamente a demanda prevista de energia elétrica para o dia, assim como o déficit registrado no pico noturno. A diferença entre esses dois valores dá uma ideia da disponibilidade efetiva de energia, que ficou em média em 1.670 MW: metade do que o país de 9,6 milhões de habitantes precisa.
Os dados oficiais também mostram um forte aumento na geração fotovoltaica. Enquanto no fim de março os parques solares tinham uma geração de entre 300 e 400 megawatts-hora (MWh), no fim de dezembro esse número superou os 3.000 MWh.
No entanto, devido à escassez de baterias de armazenamento, essa energia só pode ser utilizada enquanto há sol e não à noite, quando ocorre o horário de pico de consumo.
Sob embargo dos Estados Unidos desde 1962 e em meio a uma forte crise econômica, Cuba enfrenta há três anos uma grave escassez de combustível que afeta a produção de eletricidade.
Essa falta de combustível pode se agravar depois que Trump, que assumiu no início deste mês o controle do setor petrolífero da Venezuela, anunciou recentemente o fim do fluxo de petróleo e de recursos venezuelanos para a ilha comunista.
A Venezuela é, desde o ano 2000, o principal fornecedor de petróleo a Cuba, sua aliada ideológica.
Além disso, a base da geração elétrica da ilha depende de oito usinas termelétricas, quase todas inauguradas nas décadas de 1980 e 1990, que sofrem frequentes avarias ou precisam ser paralisadas para manutenção.
Os apagões diários, às vezes com duração superior a 20 horas consecutivas, são comuns.
O governo afirma que o embargo dos Estados Unidos o impede de reparar sua rede elétrica, mas economistas apontam uma falta crônica de investimento estatal no setor.
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