Uma mulher foi indiciada pela Polícia Federal (PF) por supostamente integrar um esquema criminoso e recebeu R$ 8.100 em auxílio emergencial. A investigação aponta que ela se passava por advogada e ostentava uma vida de luxo.
Investigação sobre o auxílio emergencial
A investigação revelou que o companheiro da mulher, integrante da facção Bonde do Maluco (BDM), também foi beneficiado com R$ 3.300 do auxílio. Ele é réu por organização criminosa.
A apuração indicou que a mulher auxiliava na comunicação de membros da facção Bonde do Maluco (BDM) com um dos líderes da organização, que está preso na Papuda. Este líder é apontado como responsável pela morte do policial federal Lucas Caribé, em 2023.
Detalhes da investigação
O líder do Bonde do Maluco (BDM) possui um histórico de crimes que inclui tráfico de drogas. Ele é conhecido como Caboclinho e é um dos principais alvos da Operação Cravante, deflagrada em outubro de 2024. Mesmo preso, ele continuou a exercer influência no tráfico, coordenando as atividades do BDM.
A articulação permitiu que ele ampliasse sua rede criminosa e se comunicasse com outros detentos, gerenciando atividades ilícitas de dentro da prisão. Sua posição no crime se fortaleceu após integrar e auxiliar o Primeiro Comando da Capital (PCC) na penitenciária, utilizando conexões com advogados para manter o controle sobre o tráfico.
Em 2024, a operação cumpriu seis mandados de prisão e nove de busca e apreensão na capital federal e na Bahia. Informações da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape) mencionam indícios de que várias pessoas teriam se passado por um advogado, com sua anuência, para se comunicar com detentos do sistema prisional do DF.
Falsa advogada e ostentação
A mulher investigada realizou o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e entrou com uma ação judicial para revisar sua nota, mas o pedido foi negado. Sem autorização para atuar, ela se apresentava como advogada e usava o nome “Tatiane Adv Silva” em seu perfil de WhatsApp.
Nas redes sociais, a investigada se descrevia como pós-graduanda em direito penal dogmática moderna e ostentava roupas, bolsas e relógios de luxo. A mulher chegou a ficar foragida após a expedição de um mandado de prisão, que foi posteriormente revogado.
A OAB foi contatada sobre o exercício ilegal da profissão, mas não se pronunciou até a publicação da matéria.
Conexões com “gerente do tráfico”
O relatório da PF incluiu registros de conversas e ligações da mulher com uma advogada apontada como “gerente do tráfico”. Acusada de facilitar a comunicação de membros da facção Bonde do Maluco (BDM), a advogada é namorada do homem apontado como líder da mesma organização.
Ex-mulher de um policial e inscrita na OAB, a advogada também possui passagens pela polícia por tráfico de drogas e comércio ilegal de armas de fogo. Em outubro de 2024, ela foi presa em Serrinha (BA) por facilitar a comunicação entre líderes da facção e membros em liberdade. A apuração indicou que a advogada não está mais presa na Bahia e responde por organização criminosa em liberdade.
Segundo a PF, por meio de mensagens de WhatsApp, a advogada atuava como “gerente do tráfico” na Bahia, sendo responsável por promover o comércio de drogas e a venda de armas. Ela usava o nome “Deus de Israel” no perfil para ocultar sua identidade.
Além das duas mulheres e do líder do Bonde do Maluco, outras sete pessoas respondem ao processo, incluindo advogados que facilitavam a comunicação. A advogada, outros quatro advogados e um estagiário de direito tiveram o direito de exercer a profissão suspenso. O processo corre em sigilo no Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT).