A taxa de natalidade na China alcançou em 2025 o menor valor desde 1949, quando o Partido Comunista Chinês assumiu o poder. Combinada com uma elevação na taxa de mortalidade, similar à de 1968, essa situação resultou na perda de 3,4 milhões de habitantes em comparação com 2024, reduzindo a população para cerca de 1,4 bilhão de pessoas. Essa tendência de declínio populacional persiste há quatro anos consecutivos.
Dados oficiais divulgados nesta segunda-feira (19) indicam que a taxa de natalidade caiu para 5,63 por mil habitantes, um recorde negativo na história da China comunista, enquanto a taxa de mortalidade chegou a 8,04 por mil, a maior em quase seis décadas.
Diante do envelhecimento populacional e do crescimento econômico lento, o governo chinês implementou diversas políticas para incentivar os nascimentos. Há cerca de uma década, aboliu a política de um filho por casal, elevando o limite para três filhos atualmente. Além disso, ampliou as licenças de maternidade e paternidade, oferece subsídios monetários substanciais para crianças menores de três anos e impôs barreiras fiscais ao uso de métodos contraceptivos.
Apesar desses esforços, as medidas não surtiram efeito. A taxa de fertilidade chinesa é uma das mais baixas do mundo, com uma média de um filho por mulher, bem abaixo do limiar de 2,1 necessário para a reposição populacional. Fatores como o alto custo de criar uma criança até a maioridade contribuem para isso, semelhante a outros países em desenvolvimento econômico avançado.
Um censo de 2021, citado pela BBC, revela que jovens chineses rejeitam o casamento em favor da liberdade individual e enfrentam pressão profissional intensa, desinteressando-se por formar famílias, mesmo com benefícios oferecidos pelo governo que os pais anteriores nunca tiveram.
Essa crise demográfica representa uma ameaça à economia chinesa, com queda na força de trabalho, desequilíbrio no sistema de pensões devido a menos contribuintes e aumento das despesas públicas com o envelhecimento da população. Trata-se de uma bomba-relógio para a segunda maior economia do mundo.
Com informações da Agência Brasil