Agricultores fazem protesto e cobram revisão do acordo UE-Mercosul

São Paulo, 20 – Milhares de agricultores europeus, com centenas de tratores, tomaram as ruas de Estrasburgo, no leste da França, ontem, em mais um dia de protesto contra o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul.

A mobilização ocorreu em frente ao Parlamento Europeu, apenas um dia antes da votação decisiva que pode encaminhar o tratado ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) para análise de sua legalidade.

Segundo estimativas da polícia local, o ato reuniu mais de 4,5 mil manifestantes, enquanto a Federação Nacional dos Sindicatos dos Agricultores (FNSEA), considerado o maior sindicato agrícola da França, falava em cerca de 5 mil participantes vindos de 15 Estados-membros, incluindo França, Itália, Bélgica, Polônia e Espanha. A imprensa local reportou a presença de cerca de mil tratores bloqueando acessos e concentrando-se nas imediações da sede do Legislativo.

O protesto é uma resposta direta à assinatura do acordo, realizada no último sábado em Assunção, no Paraguai, pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelos líderes do Mercosul, apesar da forte oposição de setores agrícolas do bloco europeu e de governos, como o da França e da Polônia.

CONCORRÊNCIA

A manifestação reflete a insatisfação crescente do setor agropecuário do bloco, que teme a concorrência desleal e a importação de produtos sul-americanos sob padrões sanitários e ambientais distintos dos exigidos na Europa.

As lideranças rurais exigem que os deputados europeus utilizem os mecanismos legais disponíveis para frear a implementação do tratado. A votação, marcada para hoje, definirá se o Parlamento solicitará um parecer do TJUE sobre a compatibilidade do acordo com a legislação da UE. Caso o tribunal emita uma opinião desfavorável, o texto do acordo teria de ser renegociado ou modificado.

RIGOR E PERMISSIVIDADE

As entidades representativas do setor, como a Copa-Cogeca e a Asaja Nacional, reforçaram, em postagens no X, o discurso de que a Europa não pode ser rigorosa com seus produtores internos e permissiva com as importações.

O presidente da FNSEA, Arnaud Rousseau, afirmou durante o ato de ontem em Estrasburgo que a situação é insustentável e cobrou proteção à agricultura europeia.

Além da questão do Mercosul, os manifestantes reivindicam uma Política Agrícola Comum (PAC) forte e bem financiada para o período pós-2027, simplificação burocrática real e garantia de renda digna.

A tensão política em Estrasburgo deve continuar ao longo da semana. Além da votação sobre o acordo comercial, o Parlamento Europeu analisará amanhã uma moção de censura contra Ursula von der Leyen, apresentada pelo grupo de direita Patriotas por Europa, embora analistas considerem que essa iniciativa tenha poucas chances de prosperar.

T CSM

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