A Bolsa de Valores brasileira está em forte alta nesta quinta-feira (22), estendendo o movimento da véspera e ainda embalada pelas discussões envolvendo a aquisição da Groenlândia pelos Estados Unidos.
O presidente Donald Trump afirmou estar próximo de um acordo sobre a ilha ártica e suspendeu a ameaça de aplicar tarifas sobre oito países europeus. Analistas também aguardam a divulgação de dados norte-americanos de inflação e de atividade econômica.
Às 11h19, o Ibovespa avançava 1,42%, a 174.265 pontos, a caminho de renovar o recorde histórico pelo quarto dia consecutivo. Na quarta, o principal índice do mercado acionário do país superou pela primeira vez as marcas de 167 mil, 168 mil, 169 mil, 170 mil e 171 mil pontos.
Já o dólar rondava a estabilidade, em variação negativa de 0,05%, a R$ 5,316.
Trump afirmou, na rede social Truth Social, ter formado “uma estrutura de acordo futuro em relação à Groenlândia e, na verdade, a toda a região do Ártico”.
“Com base nesse entendimento, não vou impor as tarifas que estavam programadas para entrar em vigor em 1º de fevereiro.”
O movimento foi lido como um recuo por parte do presidente republicano após reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte. Mais cedo na quarta-feira, ele já havia descartado o uso de força para tomar a ilha de posse dinamarquesa em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
O morde-e-assopra de Trump, já conhecido dos mercados desde a época do tarifaço, no ano passado, tem fomentado diversificação de carteiras para fora dos Estados Unidos. Investidores têm buscado menos exposição à volatilidade dos mercados norte-americanos e os emergentes têm se beneficiado dessa tendência.
“Os investidores passam a revisar risco, reduzir a exposição a mercados supervalorizados e buscar alternativas onde o preço compensa o risco”, diz Adriana Ricci, fundadora da SHS Investimentos. “O dinheiro global não sai do sistema. Ele muda de endereço.”
O Brasil, na análise de especialistas, se destaca por características próprias. Alguns deles são o elevado diferencial de juros a Selic está em 15% ao ano desde junho passado e a exposição da Bolsa a commodities, como petróleo e minério de ferro. As companhias listadas também seguem a preços atrativos: mesmo com os sucessivos recordes do Ibovespa, o índice ainda roda em múltiplos abaixo da médica histórica.
Esses fatores impulsionam a entrada de investidores estrangeiros por aqui, que precisam converter dólares em reais para investir e, assim, impulsionam o câmbio.
“O modelo sugere que o dólar deverá cair em direção a R$ 5,25, atual linha objetivo de queda. Assim, somente compras de curto prazo são recomendadas”, escreveu o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em relatório enviado a clientes.
O recuo de Trump sobre a Groenlândia também estimula investimentos mais arriscados o que, somado à estratégica de rotação para fora dos Estados Unidos, também favorece a Bolsa brasileira, mercado emergente.
Índices acionários na Europa também se fortalecem nesta quinta. O alemão DAX e o francês CAC 40 registram ganhos de mais de 1%. O dólar ainda apresenta queda ante divisas emergentes, como o rand sul-africano, o peso chileno e o peso mexicano.
Os agentes ainda aguardam dados do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos, bem como relatórios de auxílio-desemprego e do índice PCE de inflação, métrica favorita do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) para balizar as decisões de política monetária.
O Fed e o BC (Banco Central) brasileiro decidem sobre juros na próxima semana, entre terça e quarta-feira.
A expectativa é que ambos os bancos centrais mantenham suas taxas de referência inalteradas os Fed Funds na banda de 3,5% e 3,75%, a Selic em 15%.