Metrô de SP prevê desapropriar esquina da moda em Pinheiros

Comerciantes de um dos principais endereços de moda autoral de São Paulo, na rua Mateus Grou, em Pinheiros, foram notificados na semana passada pelo Metrô de São Paulo sobre a desapropriação das lojas para a construção de uma estação da linha 20-Rosa. Moradores e lojistas dizem que foram pegos de surpresa e reclamam da falta de diálogo com o poder público. Procurado pela reportagem, o Metrô não se pronunciou.

O Metrô enviou cartas para comunicar a desapropriação. Uma parte dos imóveis da rua Mateus Grou, em Pinheiros, será desapropriada para a construção de uma estação da linha, que deve ligar o bairro da Lapa à cidade de Santo André, no ABC Paulista.

A área a ser desapropriada tem 3.802,40 m² e fica na esquina da Mateus Grou com a Cardeal Arcoverde.

O trecho abrange também áreas da rua Doutor Virgílio de Carvalho Pinto, próximo a uma vila. Em julho do ano passado, o UOL mostrou que os moradores dessa vila também relataram medo de
desapropriação. Após a publicação da reportagem, receberam a informação de que o local não seria desapropriado.

A esquina reúne um conjunto de casas construídas nos anos 1960. São dez imóveis em estilo de sobrado, hoje ocupados por lojas de moda autoral e grifes. Esse tipo de construção é cada vez mais raro na região, marcada pelo avanço de prédios residenciais e comerciais -um deles em construção em frente ao conjunto.

Pinheiros é o segundo bairro com metro quadrado mais caro da capital paulista. De acordo com o levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, que calcula o índice nacionalmente, em dezembro do ano passado o valor chegou a R$ 18.355 /m². Só perdeu para o preço do Itaim Bibi, que custa R$ 19.468 /m².

“A cidade foi crescendo e essas casinhas foram se mantendo assim como estão”, diz a estilista Heloisa Strobel, 38, ao se referir às casas do trecho. Dona da marca Reptilia, que funciona no local há seis anos, ela afirma que ficou surpresa ao receber a notificação do Metrô na sexta-feira passada. “Fomos pegos de surpresa com o aviso”, afirma.

Segundo Heloisa, os imóveis sempre despertaram interesse do mercado imobiliário. “Frequentemente, funcionários de construtoras vêm aqui perguntar se as casas estão à venda”, afirma. Inquilina do imóvel, ela diz que o proprietário nunca quis negociar. “Ele não vende de jeito nenhum. Agora foi surpreendido.”

Um comerciante que se mudou há seis meses relata prejuízo. O publicitário João Rocha, 39, alugou uma das casas em agosto para abrir uma loja de roupas. “Era uma casinha antiga. Reformei a loja inteira e agora recebi essa notícia”, conta. “Se soubesse, não teria mudado. Agora vou ter prejuízo.”

Moradores também questionam a necessidade de uma estação no local, a cerca de 750 metros de outra já existente. O engenheiro Fábio Costa, 45, diz que não está claro “o que levou à decisão de implantar um metrô aqui”. “Tecnicamente, em termos de distância, há outra estação a dois quarteirões e meio daqui”, afirma, em referência à estação Fradique Coutinho, da linha 4-Amarela. Outra estação prevista da linha 20-Rosa, a Girassol, ficará a cerca de 550 metros do casario.

Comerciantes e moradores cobram respostas do Metrô. Moradora da região, a administradora Majory Imai, 59, reclama da falta de diálogo do governo do Estado com a população local. Integrante da Amateus (Associação dos Moradores e Comerciantes da Rua Mateus Grou), ela defende a realização de uma audiência pública para discutir as obras e sua necessidade.

Segundo Majory, a vizinhança não é contrária ao Metrô. Mas cobra que as decisões sejam debatidas com os moradores. O grupo também pretende acionar parlamentares em busca de apoio.

A reportagem procurou o Metrô desde quarta-feira (21) para comentar o assunto, mas não obteve retorno. A reportagem questionou o Metrô sobre o prazo da desapropriação, quais outros imóveis devem ser afetados pela obra e sobre a queixa de falta de diálogo com moradores. O espaço segue aberto.

GOVERNO PUBLICOU RESOLUÇÃO PARA DESAPROPRIAR

O documento enviado aos comerciantes da Mateus Grou não estabelece prazos. A reportagem teve acesso à carta assinada por Lívia Savignano Fortes, coordenadora de Gestão de Partes Interessadas do Metrô SP, que informa apenas que os imóveis estão incluídos em resolução estadual publicada em 27 de novembro. O texto declarou de utilidade pública diversas áreas da cidade para fins de “desapropriação, ocupação temporária ou instituição de servidão”, necessárias à construção da linha 20-Rosa.

A resolução cita sete bairros de São Paulo. Além de Pinheiros, foram incluídos Barra Funda, Lapa, Itaim Bibi, Saúde, Cursino e Sacomã. A medida foi assinada pelo secretário de Parcerias em Investimentos do governo Tarcísio (Republicanos), Rafael Benini.

A notificação da Mateus Grou informa que a próxima etapa do processo de desapropriação é o cadastramento dos imóveis. Em seguida, será realizada uma vistoria técnica para a elaboração de um laudo de avaliação, que definirá o valor de mercado.

Depois, o Metrô apresentará uma oferta de indenização com base nesse valor. “Caso o proprietário aceite o valor oferecido, entra-se em acordo para o pagamento e desocupação de imóvel. Caso o proprietário não aceite o valor, o Metrô ajuíza a ação de desapropriação e o processo segue pelo caminho judicial”, diz a carta.

Projeto básico da linha 20-Rosa está previsto para ser concluído em julho. Reportagem do UOL publicada em agosto do ano passado informou que, após a fase de estudos, os projetos ainda passariam por outras etapas antes do início das obras. Uma delas é a realização de audiências públicas, nas quais os detalhes da linha são apresentados e a população pode se manifesta

T CSM

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