Apesar de estar a poucos quilômetros do Eixo Monumental, para muitas crianças e adolescentes do Distrito Federal o centro de Brasília ainda é um território desconhecido. Para romper essa distância social e simbólica, o projeto “Explorando a Capital”, do SESC-DF (Serviço Social do Comércio do Distrito Federal), promove a inclusão por meio do turismo social e leva jovens em situação de vulnerabilidade para conhecer, pela primeira vez, os principais monumentos, a história e a arquitetura da capital federal. Na próxima quarta-feira (28), a iniciativa contempla crianças e adolescentes atendidos pelo Instituto Abraço Solidário, no Sol Nascente, para o passeio.
Criado em 2022, o Explorando a Capital integra de forma permanente as ações de Turismo Social do Sesc-DF e funciona por meio de parcerias com instituições que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade social. “As instituições são parceiras do programa. Elas fazem o cadastro, organizam os grupos e participam da ação, pela execução é do Sesc-DF”, explica Nicole Facuri, gerente de Turismo Social do SESC.
De acordo com Nicole, o programa atende instituições que trabalham com públicos cuja renda familiar per capita seja de até dois salários mínimos. A participação não é individual. “O cadastro é feito exclusivamente por instituições, escolas ou organizações sociais interessadas, que entram em contato com o setor de Turismo Social do Sesc-DF”, afirma. As visitas ocorrem, às quartas-feiras pela manhã, com uma instituição beneficiada por semana, ao longo de todo o ano, com pausa apenas no período de recesso das instituições.
Em 2025, o projeto atendeu 49 instituições e beneficiou diretamente 1.624 pessoas. Em 2026, as atividades serão retomadas no dia 28 de janeiro. Para o Sesc-DF, a iniciativa vai além do passeio turístico. “Não é um turismo qualquer. É uma ação de turismo social, com viés educativo, que busca educar pelo turismo e para o turismo”, destaca Nicole Facuri.
A proposta está diretamente relacionada à educação patrimonial e cívica, a partir do reconhecimento de Brasília como Patrimônio Cultural da Humanidade e Cidade Criativa do Design, títulos concedidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) para a Educação, a Ciência e a Cultura. “Brasília pode ser entendida como um museu a céu aberto. Quando a pessoa conhece a cidade, entende o valor histórico e simbólico daquele espaço, ela passa a cuidar mais”, afirma a gerente. Segundo Nicole, despertar esse vínculo afetivo é fundamental para a preservação do patrimônio. “A melhor forma de ensinar alguém a preservar algo é ensinando essa pessoa a amar aquilo.”
Para o Instituto Abraço Solidário, a parceria com o Sesc-DF se estende para além do Explorando a Capital. Fundada há seis anos, a instituição atende de forma contínua cerca de 200 crianças e adolescentes, entre 5 e 18 anos, por meio de atividades regulares no Sol Nascente. Em ações pontuais e eventos sociais ao longo do ano, esse número pode ultrapassar 800 beneficiados. “A gente faz sempre eventos sociais, mas com as atividades fixas chegamos a cerca de 200 crianças e adolescentes”, explica a presidente da instituição, Dina Ester Rodrigues.
A participação no Explorando a Capital ocorre há aproximadamente três anos e, ao longo desse período, também incluiu mães em algumas edições, ampliando o acesso das famílias aos pontos turísticos e históricos de Brasília. Segundo Dina, a experiência é marcante para os participantes. “Tem criança que nunca foi à Torre de TV, nunca entrou na Catedral. Quando eles veem a igreja, os monumentos, ficam muito felizes. Em uma edição, um dos jovens chegou a dizer que gostaria de estudar para, no futuro, trabalhar no Supremo Tribunal Federal após conhecer o prédio”, relata.
Dina destaca ainda o caráter educativo da iniciativa. “Eles não só vão, mas aprendem. O guia explica tudo, conta a história de cada lugar”, afirma. A programação dura o período da manhã e inclui transporte, lanche e acompanhamento de guias turísticos. A próxima visita com o Instituto Abraço Solidário está prevista para quarta-feira, das 9h ao meio-dia, com a participação de 32 crianças e adolescentes;
Para quem deseja apoiar o trabalho desenvolvido pelo Instituto Abraço Solidário, as contribuições podem ser feitas por meio de doações via Pix, pelo CNPJ 36.629.330/0001-98. A instituição também recebe contato direto pelo telefone (61) 99181-6393 e pelas redes sociais, no perfil @instituto_abraco_solidario. O Instituto Abraço Solidário está localizado na SHSN Quadra 202, Conjunto N, Lotes 29/31-33, no Sol Nascente.
Já as entidades que desejam participar do projeto Explorando a Capital devem entrar em contato com o setor de Turismo Social do Sesc-DF pelo e-mail centraldeturismo@sescdf.com.br.