Dólar cai para R$ 5,21 e Bolsa dispara para 183 mil pontos com IPCA-15 abaixo do esperado

O dólar está em forte queda nesta terça-feira (27), com investidores repercutindo os dados do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) divulgados mais cedo.

Considerado uma “prévia” da inflação oficial do país, o índice registrou avanço de 0,20% em janeiro, uma desaceleração em relação aos 0,25% de dezembro.

O mercado também segue atento às decisões de juros dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos. O resultado será divulgado na quarta-feira, data apelidada de “Superquarta” pelos operadores.

Às 13h22, a moeda norte-americana caía 1,19%, cotada a R$ 5,216. Na mínima do dia, foi a R$ 5,211, menor valor desde 2024. Já a Bolsa estava em disparada de 2,27%, a 182.795 pontos, a caminho de registrar um novo recorde histórico em meio à retomada do fluxo de investidores estrangeiros para cá.

É a primeira vez que o Ibovespa chega aos patamares de 181 mil e 182 mil pontos. Na máxima do dia, chegou a 183.027 pontos.

O avanço de 0,2% do IPCA-15 na base mensal veio ligeiramente abaixo das expectativas de 0,22% do mercado, segundo a Bloomberg. Por outro lado, o índice acelerou no acumulado de 12 meses. Após marcar 4,41% até dezembro, alcançou 4,5% até janeiro.

É exatamente o teto da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

A divulgação acontece na véspera da primeira decisão de juros do Copom (Comitê de Política Monetária) em 2026. A previsão dos agentes é de manutenção dos atuais 15% ao ano, maior patamar em quase duas décadas.

“Para a decisão de amanhã, o resultado de hoje é de pouca relevância”, diz André Valério, economista sênior do Inter. A expectativa, no entanto, é de que o índice motive ajustes no comunicado que sucede a decisão, refletindo “a possibilidade do início do ciclo de cortes na reunião de março”.

A análise se baseia na tendência de desinflação no longo prazo, resultado da valorização do real ante o dólar e da queda recente nos preços de alimentos. A redução dos preços da gasolina pela Petrobras também empurrará o índice para baixo neste primeiro trimestre, afirma Valério.

Segundo o boletim Focus desta semana, especialistas veem um corte de 0,5 ponto percentual em março como o pontapé inicial do ciclo de afrouxamento monetário. A Selic deve encerrar 2026 em 12,25%; o IPCA, em 4%.

“O dado aumentou a confiança de que a política monetária restritiva começa a produzir efeitos mais consistentes sobre os preços. Com a inflação mostrando sinais de arrefecimento, cresce a expectativa por um corte de juros mais próximo, ou ao menos por um discurso mais brando por parte do BC”, disse o analista da Levante Inside Corp., João Abdouni.

A “superquarta” também guarda a decisão de juros do Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos). Por lá, o consenso de mercado também aponta para uma manutenção da taxa na banda de 3,5% e 3,75%. Preocupa, no entanto, o ambiente institucional do Fed em meio aos ataques do governo Donald Trump.

A provável manutenção dos juros vai na contramão do que o republicano tem pregado desde que assumiu o cargo: a redução brusca da taxa para até 1,5%.

O contexto, segundo analistas, é crítico. Jerome Powell, presidente do Fed, se tornou alvo no início do mês de uma investigação federal relacionada a uma reforma da sede da instituição, orçada em US$ 2,5 bilhões. Ele reagiu publicamente antes mesmo do anúncio formal do inquérito, classificando-o como um pretexto para pressioná-lo a reduzir drasticamente os juros.

“Embora haja pouca dúvida sobre o resultado da reunião, as expectativas têm aumentado de que a retórica será agressiva devido a fortes dados econômicos e em resposta aos ataques de Trump à autonomia do Fed”, diz Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado da Ebury.

Parlamentares republicanos, dirigentes de bancos centrais em todo o mundo e líderes do mercado financeiro saíram em defesa da independência do Fed após o inquérito contra Powell. Investidores apostam que o Fed conseguirá resistir às pressões da Casa Branca, mas o dano institucional pode ser profundo.

Conforme a escolha pelo novo presidente do Fed se avizinha —o mandato de Powell termina em maio—, o mercado teme que Trump opte por um chairman que responderá às suas demandas, e não aos dados econômicos.

A incerteza se soma a um contexto já tensionado. “O mercado aguarda um pronunciamento de Donald Trump sobre a economia nesta tarde, e ainda há uma nova possibilidade de ‘shutdown’ do governo norte-americano rondando as operações”, diz Higor Rabelo, especialista da Valor Investimentos.

Trump ainda afirmou que vai elevar de 15% para 25% as tarifas sobre determinadas importações da Coreia do Sul, em resposta ao que chamou de lentidão do país asiático para cumprir o acordo comercial firmado no ano passado.

O ambiente estimula a tendência de diversificação de carteiras, com investidores reduzindo a exposição aos mercados norte-americanos. O índice DXY, que compra o dólar ante seis moedas fortes, marcava 0,46%, a 96,62 pontos, denotando fraqueza da divisa norte-americana mundialmente.

Também é reflexo disso a forte valorização do Ibovespa nos últimos dias. A entrada de capital estrangeiro no país em janeiro já é metade do total aportado ao longo de 2025, alavancando a Bolsa brasileira para patamares inéditos.

T CSM

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