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Poema de líder religioso do início do século XX envolve guerras e catástrofes
Hazrat Mirza Ghulam Ahmad – Foto: Reprodução
Uma profecia sobre o fim do mundo, escrita há mais de 120 anos, voltou a circular com força nas redes sociais e passou a viralizar na web, reacendendo debates sobre guerras, catástrofes naturais e o cenário global atual. O texto é atribuído a Hazrat Mirza Ghulam Ahmad, líder religioso islâmico reverenciado por seus seguidores como o Messias Prometido e o Imã Mahdi, que em 1905 descreveu um futuro marcado por destruição em escala mundial.
No poema, divulgado por volta da época de sua morte, em 1908, Ahmad menciona terremotos massivos, regiões inteiras devastadas, rios de sangue e até fenômenos celestes inexplicáveis, imagens que muitos internautas passaram a associar a um possível alerta sobre a Terceira Guerra Mundial.
Um dos trechos mais comentados faz referência ao “czar da Rússia”, o que levou parte do público a relacionar a profecia a conflitos modernos envolvendo o país, como a guerra na Ucrânia, além das tensões com os Estados Unidos e a Otan. Para esses leitores, o poema teria antecipado disputas geopolíticas atuais.
“A ira de Deus trará uma revolução ao mundo, e quem estiver sem roupa não conseguirá nem amarrar as calças”, escreveu Ahmad em um dos versos. Em outro trecho, ele afirma: “De repente, um terremoto sacudirá violentamente mortais, árvores, montanhas e mares. Num piscar de olhos, a terra se transformará, e rios de sangue correrão como torrentes”.
Nascido em 1835, em Qadian, na atual Índia, Ahmad fundou o Movimento Ahmadiyya no Islã e dedicou sua vida a defender sua fé diante de críticas de outras religiões, como o cristianismo. Ele também afirmava ter recebido revelações divinas, o que levou seus seguidores a vê-lo como o guia prometido nas profecias islâmicas do fim dos tempos. Sua atuação, no entanto, enfrentou forte resistência de líderes islâmicos ortodoxos.
Especialistas e estudiosos, por outro lado, demonstram ceticismo em relação às interpretações atuais. Entre os argumentos estão o fato de a Rússia não ter mais um czar em 2026 e a possibilidade de que as previsões se referissem a eventos locais, como um grande terremoto ocorrido na Índia antes da morte do religioso.
Em outras obras, como “Barahin-e-Ahmadiyya”, escrita no fim do século XIX, Ahmad afirmou que “um avisador veio ao mundo, mas o mundo não o aceitou”, frase que alguns crentes interpretam como um presságio de guerras e desastres após a rejeição de um mensageiro divino. Já em “A Filosofia da Revelação Divina”, do início do século XX, ele voltou a alertar sobre um terrível terremoto que estaria por vir.
“Haverá morte em tal escala que rios de sangue correrão. Nem mesmo pássaros e animais de pasto escaparão dessa morte”, profetizou o líder religioso, em um dos trechos mais impactantes que hoje alimentam debates e interpretações nas redes sociais.