Paciente perde vaga no Crer após faltar a sessões por falta de transporte da Saúde de Aparecida

SEM TRATAMENTO

Após três faltas consecutivas, aposentada recebeu alta do tratamento

Carros que realizam transporte de pessoas que possuem necessidades especiais (Foto: Reprodução)

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Pacientes de Aparecida de Goiânia que dependem do transporte oferecido pela Secretaria Municipal de Saúde relatam que falhas no serviço têm comprometido a continuidade de tratamentos especializados. A aposentada Maria da Silva, de 66 anos, foi diretamente afetada pela falta de veículos disponíveis. A idosa perdeu a vaga no Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer) após acumular faltas por não conseguir se deslocar até a unidade.

Moradora do Parque Ibirapuera, em Aparecida, Maria é cadeirante, possui invalidez permanente e é paciente do Crer desde 2012. Há mais de dois anos, ela utilizava o transporte da Saúde para realizar hidroterapia, fisioterapia, acompanhamento psiquiátrico e outros atendimentos essenciais para o controle da dor e manutenção de sua mobilidade. No entanto, atrasos recorrentes e a falta de veículos fizeram com que ela não conseguisse comparecer às sessões, resultando na exclusão automática do tratamento.

“Por chegar atrasada e por dizerem que não tinha carro disponível para me buscar, acabei acumulando três faltas e fui retirada do sistema. Agora preciso passar novamente por consulta com médico especialista do quadril para conseguir novo encaminhamento, e a espera pode ser longa, mesmo eu sendo paciente antiga do Crer”, relata.

Maria explica que atualmente se locomove com auxílio de andador e usa uma sandália ortopédica de cinco centímetros. Segundo ela, a interrupção do tratamento agravou o quadro de saúde. “Estou sofrendo com dores e cãibras terríveis por falta dos exercícios”, afirma.

Além dos impactos físicos, Maria destaca o abalo emocional causado pela situação. Ex-técnica em enfermagem, ela atualmente faz acompanhamento psiquiátrico e psicológico em um Caps próximo de casa. “Imagina o psicológico de quem sempre trabalhou na saúde e hoje passa por isso. Mesmo assim, quando dá, preciso pagar Uber para não ficar sem atendimento”, lamenta.

O Crer informou que, conforme protocolo institucional, o limite para continuidade do tratamento é de até três faltas consecutivas ou alternadas no mesmo mês. Caso esse número seja ultrapassado sem justificativa formal, o paciente recebe alta administrativa por absenteísmo. A unidade afirma ainda que cada caso pode ser analisado individualmente pelo Serviço Social.

A Secretaria Municipal de Saúde de Aparecida de Goiânia (SMS) informou que está reorganizando e revisando todos os agendamentos de transporte de usuários devido à grande e crescente demanda. A prioridade, segundo a pasta, é atender pessoas com necessidades especiais, dificuldades de locomoção e critérios sociais. A Secretaria afirmou ainda que segue trabalhando para aprimorar o serviço no “menor prazo possível”.

T CSM

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