Caps no DF auxiliam pacientes a retomar autonomia

Caps no DF auxiliam pacientes a retomar autonomia
Caps no DF auxiliam pacientes a retomar autonomia – Reprodução

A Rede de Atenção Psicossocial (Raps) da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) oferece atendimento a cidadãos com sofrimento mental grave por meio de 18 Centros de Atenção Psicossocial (Caps). As unidades, que são um dos alicerces da rede, funcionam em regime de porta aberta, sem necessidade de agendamento prévio ou encaminhamento médico, para auxiliar em situações de crise e nos processos de reabilitação psicossocial.

Funcionamento dos Caps

As unidades básicas de saúde (UBSs) são a porta de entrada preferencial para o tratamento de quadros psíquicos mais leves. Os Caps, por sua vez, atendem casos de maior complexidade, posicionando-se entre a atenção primária e os serviços hospitalares e de emergência. “O conselho que dou a quem tem algum sofrimento mental é que busque auxílio o mais rapidamente possível, antes que o quadro se agrave”, afirma a psicóloga e supervisora do Caps III de Samambaia, Juliana Neves Batista.

Juliana explica que as unidades oferecem um dispositivo chamado acolhimento. “Fazemos esse atendimento inicial. Oferecemos uma escuta qualificada, entendendo as questões daquela pessoa, e ela de fato sente que está sendo acolhida. Em seguida, fazemos o direcionamento correto, nem todo paciente permanece aqui”, conta a psicóloga.

A equipe multiprofissional

Nos Caps, a assistência em saúde mental é prestada por equipe multiprofissional atuando de forma interdisciplinar. A equipe pode ser composta por psiquiatras, clínicos, pediatras, fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, enfermeiros e farmacêuticos.

Acolhimento e reabilitação

Um dos casos atendidos pelo Caps III de Samambaia foi o da aposentada Marlene Luiza da Cunha, 66 anos. Após se aposentar, ela perdeu vários familiares, o que causou muito impacto em sua saúde mental. “Eu tive três momentos muito difíceis, relacionados ao luto. Perdi meu pai em 2015. Em seguida foi meu marido, em 2016, após 31 anos de casada. E 40 dias depois eu perdi a minha mãe. Assim, eu não pude ter essa vivência do luto. Eu estava em choque quando tive que lidar com os problemas de inventário”, afirma.

Marlene conta que, além de ter de lidar com a burocracia e a notícia das mortes em sucessão, um problema de saúde a deixou internada por um longo tempo, resultando em uma depressão profunda. “Estava desorientada, debilitada física e mentalmente. Não podia mais sair sozinha. Comecei a me fechar, a me isolar, não queria mais sair daquele mundinho que a gente cria para se sentir protegido porque tudo externo era agressivo”, relembra.

O isolamento começou a levantar preocupações na família e amigos. “Eu não vim ao Caps, o Caps é que veio ao meu encontro”, conta. Por iniciativa de amigos, uma equipe de profissionais do Caps III de Samambaia realizou uma visita domiciliar ao endereço de Marlene. Embora reclusa e avessa ao contato com os outros, ela entendeu naquele dia que precisava de ajuda. “Eles entenderam que eu estava muito acuada. Eu mesma havia entrado em um labirinto, apagado a luz e tentava encontrar a saída”, lembra.

Ponto de virada

Mesmo sem muito ânimo no início, Marlene começou a participar de algumas das ações e terapias desenvolvidas na unidade da SES-DF. A lista de atividades disponíveis é extensa:

  • Grupos de bijuteria
  • Terapia comunitária
  • Yoga
  • Hortoterapia
  • Caminhadas
  • Tai chi chuan
  • Dança
  • Karaokê
  • Crochê

Cada uma dessas atividades apresenta um benefício terapêutico próprio, aliado sempre ao acompanhamento clínico da equipe multidisciplinar. “Um dia, minha orientadora ocupacional me perguntou se eu estava gostando das oficinas, e eu comecei a perceber que, quando a gente não tinha atividades, eu sentia falta do que a gente trabalhava aqui. Nessas atividades a gente vai interagindo com os outros colegas, vai se sentindo melhor. Percebi que as minhas capacidades mentais e físicas estavam voltando e que a autoestima é muito importante para quem precisa de ajuda”, conta.

Hoje, Marlene diz estar “80% recuperada” e faz questão de agradecer ao time do Caps III de Samambaia: “Esse trabalho está me reestruturando. Existe uma Marlene antes e outra depois do Caps. Para mim, essa é a abertura de um processo de cura que depende do próprio paciente. Não há outra palavra para definir o que eu sinto senão gratidão”.

*Com informações da Secretaria de Saúde

T LB

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