Juros altos superam impacto de tarifas americanas na queda de empregos em 2025, diz Marinho

Juros altos superam impacto de tarifas americanas na queda de empregos em 2025, diz Marinho
Juros altos superam impacto de tarifas americanas na queda de – Reprodução

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que a elevação da taxa básica de juros, a Selic, teve maior impacto na geração de empregos em 2025 do que as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos sob Donald Trump. A declaração foi feita durante a divulgação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), nesta quinta-feira (29).

“O tarifaço impactou, claro, mas acho que o impacto dos juros foi maior que o do tarifaço. Do ponto de vista global da indústria, o efeito dos juros é mais danoso”, disse Marinho em coletiva de imprensa. Segundo ele, os efeitos das sobretaxas americanas concentraram-se em setores específicos da economia e foram parcialmente mitigados por medidas do governo, como abertura de novos mercados e planos de apoio a empresas afetadas.

Marinho criticou a política monetária do Banco Central, destacando que a Selic, atualmente em 15% ao ano, afeta de forma mais ampla os investimentos e as contratações. “O Banco Central esperava e trabalhou para diminuir o ritmo do crescimento. O problema é que isso reflete em queimar orçamento para pagar juros”, afirmou o ministro, relacionando a desaceleração do mercado de trabalho à elevação dos juros.

Os dados do Caged indicam que o Brasil criou 1,279 milhão de vagas formais ao longo de 2025, resultado 23,73% inferior ao de 2024, quando foram abertas cerca de 1,677 milhão de vagas. Esse é o pior saldo desde 2020, ano marcado pela pandemia, com saldo negativo.

O saldo positivo de 2025 resultou de 26,6 milhões de admissões e 25,3 milhões de desligamentos. Em dezembro, o mercado registrou fechamento líquido de 618 mil vagas, em linha com o padrão histórico do mês, devido ao fim de contratos temporários e ajustes de custos pelas empresas.

Marinho alertou que a manutenção dos juros elevados pode comprometer boa parte de 2026, embora números preliminares de janeiro mostrem sinais positivos. “Com juros altos, é natural que investidores posterguem decisões”, concluiu.

Com informações da Agência Brasil

T CSM

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