O número de celulares furtados ou roubados no estado de São Paulo recuou 5,9% em 2025 na comparação com 2024, apontam dados divulgados pela SSP (Secretaria de Segurança Pública) nesta sexta-feira (30).
Foram 254.416 crimes do gênero registrados de janeiro a dezembro do ano passado ante 270.488 no período anterior. Apesar da redução, isso ainda equivale a 697 aparelhos subtraídos por dia, ou a quase um celular roubado ou furtado a cada dois minutos.
Essa é a terceira redução seguida desde que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) assumiu o Palácio dos Bandeirantes.
A queda nos números absolutos é puxada pela redução na quantidade de roubos, que caiu de 117.432 em 2024 para 101.373 no ano passado. Furtos, por outro lado, aumentaram. Saíram de 147.832 registrados em 2024 para 157.453 em 2025.
A diferença entre um crime e outro está no uso da ameaça ou da violência. Se uma delas está presente na ocorrência trata-se de roubo; do contrário, furto.
A cidade de São Paulo concentra os maiores índices do estado, com 161.666 celulares furtados ou roubados em 2025 –no ano anterior foram 163.437. São 442 casos em média por dia na capital.
No restante do território paulista, as ocorrências nos 644 demais municípios somaram 97.755.
Embora altos em termos absolutos, os números não destoam de outras capitais em termos populacionais. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 mostram, por exemplo, que os índices paulistanos de furto e roubo de celular estão atrás de São Luís (MA) e Belém (PA). Os números dessas cidades são de 2024
O ranking considera a taxa de aparelhos subtraídos a cada 100 mil habitantes.
“A probabilidade de crimes como esses acontecerem em grandes centros é maior pois são locais movimentados, com grande fluxo de pessoas”, diz o analista criminal Guaracy Mingardi, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
“O furto ocorre onde há transeuntes. É mais difícil localizar uma pessoa que pega uma bolsa e sai correndo quando há gente em volta. Uma quadra depois e ninguém mais acha ela”, emenda.
Os números refletem apenas ocorrências registradas na polícia. Em muitos casos, diz Mingardi, a vítima nem chega a acionar autoridades porque “não acredita que aquilo vai dar em alguma coisa”.
“A pessoa não acha que vai conseguir recuperar o celular. Não acredita nisso. Tem um descrédito muito grande no trabalho policial.”
A SSP disse à Folha de S.Paulo na quinta-feira (29) ter recuperado mais de 82 mil aparelhos desde o início da gestão Tarcísio e disse que mais da metade deles foi devolvida às vítimas. Afirmou também ter prendido 1.200 suspeitos e manter ações integradas de combate ao roubo e à receptação de celulares.
Parte dessas iniciativas, disse a pasta, são direcionadas a furtos ou roubos cometidos por motociclistas, inclusive por falsos entregadores. “Há ainda o programa SP Mobile, que de forma pioneira emite notificações a celulares com restrição criminal que foram reativados, permitindo atuar de forma efetiva contra a receptação”.
Ainda que comparáveis a outras capitais, diz o professor Bráulio Figueiredo, coordenador do Crisp (Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública) da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), os dados sobre crimes envolvendo celulares não deixam de ser elevados –não apenas no estado.
Segundo ele, esse tipo de delito está diretamente relacionado à sensação de insegurança relatada de norte a sul do país.
Pesquisa Datafolha divulgada em dezembro mostrou que o percentual de brasileiros que veem na segurança pública o principal problema do país chegou a 16%. O setor está atrás de saúde, reconhecida como o maior gargalo nacional para 20%, mas à frente da economia (11%).
O medo da violência, segundo o mesmo levantamento, mudou algo na rotina de sete em cada dez brasileiros. 56% deles deixou de usar o celular nas ruas, por exemplo.
A subtração do aparelho, afinal, “já não é mais apenas um crime patrimonial”, diz Figueiredo.
“Um celular carrega hoje a vida das pessoas. Dentro dele estão rede social, contatos, contas bancárias, documentos. A consequência natural de um índice grande de furto ou roubo de aparelhos é o medo, a insegurança”, diz o professor.
A SSP diz que usuários também devem se precaver. “As forças de segurança orientam que os usuários anotem o número do Imei [registro internacional do aparelho], utilizem senhas e sistemas de bloqueio, evitem expor o aparelho em locais públicos”, disse a pasta na nota enviada na quinta-feira.
Em caso de furto ou roubo, acrescenta, a vítima deve registrar “imediatamente o boletim de ocorrência e solicitar o bloqueio do chip junto à operadora, contribuindo para a redução da receptação e para a proteção de seus dados pessoais e contas bancárias”.
A partir dessas informações, diz a SSP, “o SP Mobile cruza os dados com registros das operadoras, o que permite identificar celulares roubados ou furtados que voltaram a ser utilizados por terceiros”.
Nesses casos, “o sistema envia uma notificação ao aparelho, orientando o comparecimento à delegacia para esclarecimentos e devolução do bem, possibilitando a restituição ao proprietário e o avanço das investigações”.