O empresário Sérgio Nahas, 61, desembarcou em São Paulo na tarde desta sexta-feira (30) para o cumprimento de uma pena de oito anos pelo assassinato da esposa, Fernanda Orfali, 23, em 2002.
Nahas foi preso na praia do Forte, na cidade de Mata de São João (BA), no sábado (17). Ele foi identificado por câmeras de monitoramento, de acordo com a Polícia Militar. O transporte foi realizado por uma aeronave da Polícia Civil paulista, após anuência da Justiça baiana. A defesa do empresário não foi localizada pela reportagem.
O pedido de transferência foi feito pelo DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) de São Paulo. Depois de desembarcar no aeroporto Campo de Marte, na zona norte da capital, ele passou por procedimentos de praxe, como a ida ao IML (Instituto Médico Legal) para a realização de exames.
Ele deve cumprir a pena na penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo, aonde chegou na noite desta sexta, segundo Secretaria da Administração Penitenciária.
PENA DE EMPRESÁRIO TEVE AUMENTO EM 2025
Em maio de 2025, atendendo a um pedido do Ministério Público de São Paulo, a segunda turma do STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu pelo aumento da pena de prisão de Nahas para 8 anos e 2 meses em regime fechado.
Em 2018, Nahas havia sido condenado a sete anos de prisão em regime semiaberto pelo TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo). Na ocasião, ele recorreu da sentença ao STF e estava em liberdade aguardando o julgamento, realizado nos últimos dias em sessões virtuais.
À época, a advogada de Nahas, Adriana Machado e Abreu, informou à Folha que iria entrar com os recursos cabíveis “para que uma injusta condenação/prisão não ocorra”.
Fernanda Orfali foi morta com dois tiros no apartamento do casal, em Higienópolis, em 14 de setembro de 2002. Na ocasião, Nahas afirmou à polícia que, após uma briga, a mulher havia se trancado no closet e se matado.
“Mas há testemunhas que afirmam que o barulho do arrombamento ocorreu antes dos tiros. E, segundo o laudo da perícia policial, o tiro que a matou foi dado de uma distância superior a 50 centímetros”, disse o promotor Roberto Tardelli, então responsável pelo processo.
O laudo da Polícia Científica também não encontrou vestígios de pólvora nas mãos de Fernanda. A defesa, no entanto, afirmou que a arma só deixava vestígios na roupa.
O promotor denunciou Nahas por homicídio duplamente qualificado. Ele chegou a ficar preso por 37 dias por porte ilegal de arma, mas foi solto por decisão judicial.
No inquérito, a polícia apontou que o motivo do crime seria que a Fernanda havia descoberto um caso do empresário e que ele era usuário de drogas. Quando morreu, as malas dela estavam prontas e ela procurava emprego.