Rio, 02 – A Polícia Civil de São Paulo realizou uma ação para impedir um possível ataque a bomba que estava sendo planejado para ontem, e que tinha como alvo a Avenida Paulista, um dos principais cartões-postais da capital. Em paralelo, um plano do mesmo tipo também foi desmobilizado no Rio, onde o alvo era a Assembleia Legislativa.
Ao todo, 12 suspeitos de participar da ação em São Paulo, com idades entre 15 e 30 anos, foram identificados e conduzidos para prestar esclarecimentos, segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP).
Conforme a Polícia Civil de São Paulo, os investigados, todos integrantes de um grupo virtual que não teve o nome divulgado, planejavam o uso de bombas caseiras e coquetéis molotov como forma de “manifestação” sem pauta definida, mas com o objetivo de causar pânico e incitar a violência.
Mais cedo, a Polícia Civil do Rio informou que impediu um ataque terrorista que seria realizado também nesta segunda com o uso de bombas caseiras e coquetéis molotov no centro da capital fluminense.
RELAÇÃO DIRETA
Como mostrou o Estadão, a ação planejada para o Rio era uma manifestação antidemocrática a ser realizada em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Três suspeitos foram detidos. As investigações apontam relação direta entre os identificados no Rio e em São Paulo.
No caso de São Paulo, a ação de ontem resulta de um trabalho de inteligência do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), braço da Polícia Civil que monitora possíveis comportamentos criminosos nas redes sociais.
“É um trabalho de antecipação, de chegar na frente antes que aconteça”, disse, em coletiva realizada ontem, o secretário da Segurança Pública do Estado, delegado Osvaldo Nico Gonçalves.
“Não tinha pauta nenhuma, mas eles (os alvos da operação de ontem) queriam tumultuar, angariando pessoas para fazer uma manifestação e para fazer um tipo de ‘atentado’”, acrescentou o secretário.
Com apoio da Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber), os investigadores do núcleo identificaram que os alvos atuavam a partir da capital e de cidades da região metropolitana e do interior do Estado.
Os suspeitos repassavam informações e instruções a outros membros do grupo. Seis deles tinham poder de comando e ao menos um foi encontrado com simulacros de arma de fogo, segundo informações preliminares.
ARTEFATOS
De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, os suspeitos instruíam inclusive como os participantes do grupo poderiam identificar policiais infiltrados durante eventuais manifestações, em espécie de “manual de instrução” dos ataques. “Durante semanas, os participantes compartilharam vídeos e instruções detalhadas sobre a fabricação e o lançamento de artefatos explosivos improvisados”, afirmou a Secretaria da Segurança Pública.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, as investigações apontaram que o grupo monitorado integra uma rede de alcance nacional, com mais de 7 mil participantes, para discussão de ações violentas em diferentes regiões do País. “Foi identificada uma concentração significativa de mobilização nos Estados de São Paulo e do Rio”, afirmou a pasta.