TSE analisa sugestões para regras das eleições de 2026 em audiências públicas

TSE analisa sugestões para regras das eleições de 2026 em audiências públicas
TSE analisa sugestões para regras das eleições de 2026 em – Reprodução

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) iniciou nesta terça-feira (3) audiências públicas para avaliar 1.423 sugestões de alterações nas resoluções que vão reger as Eleições de 2026. As propostas foram enviadas por cidadãos e instituições até 30 de janeiro, e as discussões ocorrem nos dias 3 e 4 de fevereiro, com transmissão ao vivo pelo canal do TSE no YouTube.

O procedimento de consulta à sociedade civil é obrigatório a cada ciclo eleitoral, conforme a legislação vigente. Pela Lei das Eleições, o plenário do TSE tem até 5 de março do ano eleitoral para debater e aprovar as normas.

O ministro Nunes Marques, vice-presidente do TSE e relator das resoluções, destacou o alto volume de contribuições, que evidencia o interesse e o engajamento no debate sobre as normas eleitorais. Entre as sugestões apresentadas por ele próprio, ao publicar as minutas de resolução, estão mudanças no calendário eleitoral, manifestações na pré-campanha, pesquisas eleitorais, critérios para distribuição de recursos e responsabilidade pela remoção de conteúdos digitais que ataquem o processo eleitoral.

Uma das principais propostas é aumentar a responsabilidade das plataformas de redes sociais por conteúdos que promovam ataques ao processo eleitoral. Nunes Marques sugeriu que as empresas provedoras sejam obrigadas a retirar do ar essas publicações mesmo sem autorização judicial, diferentemente da regra vigente nas últimas eleições municipais, que exigia decisão judicial para responsabilização.

O ministro manteve inalteradas as regras sobre o uso de inteligência artificial na campanha, aprovadas em 2024, que proíbem o deep fake e regulamentam conteúdos gerados ou manipulados digitalmente.

Em relação à pré-campanha, Nunes Marques propôs novas exceções, como a liberação de lives em perfis de pré-candidatos nas redes sociais, desde que sem pedidos de votos ou menções às pré-candidaturas. Também sugere regras mais claras para isentar críticas à administração pública atual, mesmo com impulsionamento na internet, se ausentes elementos relacionados à disputa eleitoral.

Além disso, a proposta libera manifestações espontâneas em ambientes universitários, escolares, comunitários ou de movimentos sociais, desde que não financiadas por pré-candidatos, partidos ou federações. No financiamento de campanha, os partidos poderão alterar critérios de distribuição de recursos até 30 de agosto, com justificativa e aprovação da maioria do diretório nacional.

Na abertura das audiências, a presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, enfatizou o compromisso com a ética no período eleitoral. Ela alertou que a desconfiança nas instituições gera instabilidade social e insegurança jurídica, defendendo rigor e intransigência contra desvios éticos. Na véspera, ao abrir o ano judiciário, a ministra propôs regras para disciplinar a atuação de magistrados durante o período eleitoral.

T CSM

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