BC reforça corte de juros em março, mas não indica magnitude

Brasília, 03 – A magnitude e a duração do ciclo de cortes de juros que deve começar na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em 17 de março, estão em aberto e vão depender da divulgação de novos dados. Essa é a principal mensagem da ata da mais recente reunião do colegiado, realizada na semana passada.

“O comitê (Copom) estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de distensão monetária serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises, permitindo uma avaliação mais precisa”, diz o texto, publicado ontem.

Na quarta-feira da semana passada, o Copom manteve a taxa Selic em 15% ao ano, mas informou que tem a intenção de começar a reduzir o nível dos juros no próximo encontro. Economistas do mercado rapidamente se dividiram sobre o tamanho do corte inicial, de 0,25 ou 0,50 ponto porcentual. No mercado, há quem aposte em até 0,75.

“Ao mesmo tempo, de maneira unânime, o comitê reafirma a necessidade da manutenção do patamar de juros em níveis restritivos, até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas à meta, dada a resiliência de fatores que pressionam preços tanto correntes quanto esperados, em especial do dinamismo ainda observado no mercado de trabalho”, destaca a ata.

O documento afirma que a decisão de manter a duração e a magnitude do ciclo de cortes em aberto é compatível com os “sinais mistos” sobre o ritmo de desaceleração da economia brasileira e os seus efeitos sobre a inflação.

O comitê ressaltou que mantém o “compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante”. Explicou, ainda, que a dinâmica da inflação corrente e os sinais mais claros da política monetária tornaram adequada a sinalização de um início de flexibilização monetária.

INCERTEZAS

O colegiado repetiu que o cenário atual segue marcado por elevada incerteza, o que exige cautela na condução da política monetária. “O Comitê avalia que a estratégia em curso tem se mostrado adequada para assegurar a convergência da inflação à meta. Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros.”

O Copom repetiu as projeções para a inflação acumulada em 12 meses já apresentadas no comunicado da semana passada. Prevê alta de 3,4% para o IPCA em 2026 e de 3,2% no terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante – estimativas acima do centro da meta perseguida pelo BC, de 3%.

T CSM

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