EMOÇÃO
Darilene é a oitava de nove filhos de pais lavradores e concluiu o curso de Direito em dezembro de 2025
Darilene foi homenageada pela direção da universidade (Foto: Arquivo enviado ao Mais Goiás)
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Após concluir a faculdade de Direito e percorrer mais de 35 horas de ônibus vestida de beca para cumprir a promessa de visitar os pais, Darilene Rocha de Carvalho foi homenageada no último dia 30 de janeiro, durante a cerimônia de colação de grau realizada no Paço Municipal de Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia.
Durante a cerimônia, a trajetória de Darilene foi destacada em discurso feito pela direção da instituição, que ressaltou os desafios enfrentados ao longo da graduação e a perseverança da formanda. A homenagem ocorreu diante de colegas, professores e familiares, em um momento marcado por emoção.
“Ela me mandou um vídeo nas redes sociais dizendo que tinha ido até a casa dos pais vestida de beca, em agradecimento àqueles que não puderam estar aqui hoje”, disse o professor e diretor da universidade, Leonardo Rodrigues, em referência à ausência dos pais da formanda, que não compareceram à colação de grau devido à idade e às dificuldades da viagem.
No discurso, o diretor também ressaltou a repercussão da história. “A sua história de vida me inspira e inspira muitas outras pessoas”, declarou, ao incentivar os presentes a conhecerem a trajetória de Darilene.
Ao concluir a homenagem, destacou a superação da formanda e a representatividade da sua trajetória. “É a história de uma mulher que, com muita garra, muita luta e muita força, chegou ao curso de Direito e conseguiu concluir essa etapa. Ela representa a força de cada um de vocês”, afirmou.
“Foi lindo, acho que todo mundo chorou, foi surreal, sensação maravilhosa”, comentou Darilene.
Infância marcada por dificuldades financeiras
Natural da zona rural de Formosa da Serra Negra (MA), Darilene é a oitava de nove filhos de uma família de lavradores. A infância foi marcada por dificuldades financeiras e pela limitação de acesso à educação.
Darilene se mudou para Goiânia aos 15 anos. Aos 16, começou a trabalhar em uma loja de tecidos no setor Vila Nova, conciliando o emprego com os estudos. Sem condições financeiras para ingressar imediatamente no curso de Direito, buscou outras formações e considerou prestar concursos públicos. “Eu sempre quis o Direito, mas não sabia nem por onde começar”, relata.
Escolha do curso
A escolha pelo curso foi influenciada por conflitos vividos pela família relacionados ao acesso à terra. Segundo Darilene, há restrições impostas por vizinhos quanto à passagem até a propriedade rural. “Em um dos caminhos fomos ameaçados. No outro, não permitem a construção da estrada”, afirma.
“Eu sempre pensei: vou estudar, vou vencer e vou dar o melhor para eles. Eu não me preocupo comigo; me preocupo com eles, em oferecer o melhor”, conta Darilene.
A viagem para cumprir a promessa envolveu mais de um dia de deslocamento, além de um trecho final feito a pé até a Fazenda Suspiro, acompanhada por familiares.
Atualmente, ela trabalha como analista de certidão de tempo de contribuição e frequenta um cursinho preparatório para realizar a prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). “Depois da OAB, quero fazer pós-graduação em Direito Previdenciário e Direito Agrário”, planeja Darilene.