A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou nesta segunda-feira (9) que continuará enviando ajuda humanitária a Cuba, após ter despachado uma primeira remessa no fim de semana que continha principalmente alimentos.
“Sim, haverá mais apoio. O povo do México sempre é solidário. Ninguém pode ignorar a situação que o povo de Cuba está vivendo neste momento devido às sanções que estão sendo impostas de forma muito injusta pelos EUA a qualquer país que envie petróleo”, declarou Sheinbaum em entrevista coletiva.
No final de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a aplicação de tarifas sobre produtos importados de países que enviarem petróleo para Cuba.
Segundo informações do jornal Financial Times, em 2025, o México enviou uma média diária de 12.284 barris de petróleo para Cuba, o que correspondeu a 44% das importações de petróleo bruto da ilha, enquanto a Venezuela exportou cerca de 9.528 barris por dia (34% das importações cubanas).
De acordo com o jornal britânico, as exportações mexicanas de petróleo para Cuba cresceram 56% no ano passado na comparação com 2024, enquanto as venezuelanas, outrora a principal fonte da commodity para os cubanos, caíram 63% desde 2023.
Após a captura do então ditador venezuelano Nicolás Maduro por forças americanas, em 3 de janeiro, Trump afirmou que não haverá mais envio de petróleo da Venezuela para Cuba.
O Financial Times apontou que Cuba só teria petróleo suficiente para até a próxima semana nos níveis atuais de demanda e produção interna, depois que o México suspendeu o envio de cargas da commodity para a ilha (despachou apenas um carregamento este ano, em 9 de janeiro), temendo retaliações dos Estados Unidos.
“Estamos com todas as ações diplomáticas para evitar que sejam impostas tarifas ao México por enviar petróleo a Cuba. E também fazendo um apelo internacional aos EUA”, afirmou Sheinbaum nesta segunda-feira.
A mandatária esquerdista reiterou sua rejeição às sanções e alegou que seu impacto recai sobre a população e não necessariamente sobre as autoridades cubanas.
“Na verdade, é muito injusta essa sanção que está sendo imposta aos países que vendem petróleo a Cuba. Muito injusta. Não está certo. Porque não estão certas as sanções que afetam o povo. Pode-se concordar ou não com o regime de governo de Cuba. Mas nunca se deve afetar os povos”, disse a presidente esquerdista.