Em vídeos, aluna mostra como é a rotina na moradia estudantil da UFG

Em vídeos, aluna mostra como é a rotina na moradia estudantil da UFG
Em vídeos, aluna mostra como é a rotina na moradia – Reprodução

ROTINA

Segundo a estudante, os vídeos começaram a ser gravados tanto como uma tentativa de gerar renda extra quanto para dar visibilidade à realidade de estudantes de baixa renda

Aluna de Ecologia mostra dia a dia na moradia estudantil da UFG (Foto: Reprodução)

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A estudante Izabel Paraguaio, de 25 anos, aluna do curso de Ecologia e Análise Ambiental da Universidade Federal de Goiás (UFG), tem usado as redes sociais para mostrar a rotina na moradia estudantil da instituição, localizada no campus Samambaia, em Goiânia, onde vive há três anos. Nos vídeos, ela compartilha o cotidiano universitário, como a organização do quarto, as refeições no Restaurante Universitário (RU) e tarefas simples do dia a dia, como lavar roupas na lavanderia comunitária.

Natural de Silvânia, também conhecida como povoado Macacos, na zona rural do município de Correntina, no oeste da Bahia, Izabel cresceu na roça, a cerca de 12 km da área urbana. Filha de pais separados, morava com a mãe, que trabalha de forma informal como diarista, e com a irmã. O pai atua como agricultor. A estudante costuma visitar a família durante as férias.

Importância da moradia estudantil

Segundo Izabel, a vaga na moradia estudantil foi decisiva para que ela conseguisse ingressar e permanecer na universidade. “Se eu não tivesse conseguido a moradia, eu não teria vindo para Goiânia. Eu não conhecia ninguém aqui e meus pais não tinham condições de me ajudar financeiramente”, afirma.

Ao Mais Goiás, a estudante contou que só conseguiu iniciar a graduação aos 23 anos, devido às dificuldades econômicas e à distância das instituições de ensino superior. Apesar da existência da Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob) na região, os custos com transporte e manutenção impediram que ela ingressasse na instituição mais próxima da família. “A passagem era muito cara, e eu não tinha como pagar aluguel. O auxílio oferecido lá é muito pouco”, explica.

(Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Na UFG, Izabel não paga aluguel, água ou energia elétrica. O Programa de Moradia Estudantil integra a política de assistência estudantil da universidade e garante abrigo gratuito a alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Segundo a UFG, ao todo são oferecidas 307 vagas. “Essa vaga veio para alguém que realmente precisava. Minha mãe vive basicamente do Bolsa Família e de faxinas, que no interior pagam muito pouco”, relata.

Além de mostrar a rotina acadêmica, Izabel também explica o funcionamento da moradia estudantil. A lavanderia é coletiva, com máquinas disponibilizadas pela universidade, enquanto os moradores contribuem com sabão e amaciante. “A gente pode lavar roupa no horário que quiser. Tudo é compartilhado, e existe uma política de colaboração entre os estudantes”, conta.

Criação de conteúdo como forma de incentivo

A criação de conteúdo começou tanto como uma tentativa de gerar renda extra quanto como uma forma de dar visibilidade à realidade de estudantes de baixa renda. “Eu sempre acreditei que a internet poderia transformar a minha vida e também ajudar outras pessoas que têm a mesma realidade que eu”, afirma. Segundo ela, a renda obtida com os vídeos pode auxiliar no sustento da família.

Izabel destaca que a presença de estudantes pobres na universidade pública ainda é minoria e que a moradia estudantil representa um privilégio. “Eu faço parte de um número muito, muito baixo de estudantes que realmente são pobres e conseguem chegar à universidade pública e à moradia estudantil”, diz. Para ela, compartilhar a rotina também é uma forma de incentivo. “Quero mostrar que também é possível entrar na universidade pública, apesar de tantas barreiras sociais que impedem a gente de estar aqui.”

Rotina universitária

Atualmente no sexto período do curso, Isabel cumpre 20 horas semanais de aulas, outras 20 horas de iniciação científica, além de atuar como monitora.

A adaptação à vida em Goiânia, segundo a estudante, foi desafiadora no início. “Você sai da roça e vem para uma cidade grande, com tudo que isso envolve. É como um desmame, como a gente fala lá no interior”, afirma. Apesar disso, ela relata que a transição foi facilitada pelo ambiente do campus. “O Samambaia tem muita área verde e isso me remete muito à minha região.”

T CSM

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