Mapa do risco em Goiânia: 6,4 mil pessoas vivem em áreas sujeitas a desastre

Mapa do risco em Goiânia: 6,4 mil pessoas vivem em áreas sujeitas a desastre
Mapa do risco em Goiânia: 6,4 mil pessoas vivem em – Reprodução

Um novo mapeamento técnico, divulgado nesta terça-feira (11), revela que aproximadamente 6.464 moradores de Goiânia estão em situação de vulnerabilidade em áreas de risco geológico e hidrológico. O número contempla 120 setores espalhados pelo município, que englobam 1.616 imóveis. Este estudo baseado em audiência pública, o Plano Municipal de Redução de Riscos, é realizado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) em parceria com a Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades (SPN/MCID).

Entre os mais de 6 mil moradores nessa situação, 2.008 vivem em situação considerada de grau médio, enquanto 2.152 estão em alto e 2.304 em muito alto. Em relação às 120 áreas de risco geológico, os setores, os números são, respectivamente, 44, 49 e 27, enquanto os imóveis, 576, 538 e 576.

O estudo ainda estima o número de pessoas atingidas por cada processo. São eles: inundação (4.072), erosão (1.488), deslizamento (408), alagamento (164), enxurrada (164), voçoroca (164) e ravina (4). Entre os bairros citados estão Jardim Novo Mundo, Jardim América, Vila Romana, Setor Bueno, Campinas, Urias Magalhães, Perim, Conjunto Caiçara, Parque Amazônia, Setor Aeroporto e outros.

Vale destacar que voçoroca são grandes crateras de erosão causadas pela água da chuva em solos desprotegidos. Já ravina ou barranco é um acidente geográfico produto de erosão pela ação de córregos e enxurradas.

O estudo cita ainda que a hidrografia do município é composta por 85 cursos d’água, sendo o Rio Meia Ponte e seus afluentes. Devido à ocupação desordenada sobre planícies de inundação, APPs, margens de rios e córregos, além da remoção da vegetação ciliar e ausência de infraestrutura e drenagem adequada, eventos de inundações são recorrentes ao longo dos anos, conforme o estudo.

Como recomendações, o plano destaca “o fortalecimento institucional da Defesa Civil Municipal, com equipe técnica permanente, a implementação de planos de contingência, sistemas de alerta e evacuação, além do monitoramento contínuo das áreas críticas”. Além disso, o estudo sugere a intervenção estrutural para estabilizar todas as áreas de risco alto e muito alto mapeadas no município.

“Investir em prevenção é investir em desenvolvimento urbano seguro e sustentável. Cada área mapeada representa uma oportunidade de agir antes do desastre”, destaca Luiz Belino, assessor técnico da SPN. Já o secretário Nacional de Periferias do MCid, Guilherme Simões, ressalta que “a prevenção de riscos não é uma questão de engenharia, é uma questão de justiça social. Por isso, a SNP viabilizou os recursos financeiros e as articulações necessárias para a elaboração deste PMRR”.

Ao SGB, Robledo Mendonça de Farias, da Defesa Civil Municipal, disse que a prevenção deve ocorrer com o apoio de todos. “A audiência pública é um momento essencial para compartilhar informações, ouvir a sociedade e alinhar ações entre poder público e população. A prevenção só é efetiva quando construída de forma coletiva”, afirmou.

Graus de risco

  • Muito alto: Avançado estágio de desenvolvimento, muito provável a ocorrência de eventos destrutivos
  • Alto: Pleno desenvolvimento, perfeitamente possível a ocorrência de eventos destrutivos
  • Médio: Reduzida a possibilidade de ocorrência de eventos destrutivos, mas podem evoluir para cenários piores

O que é uma área de risco?

Conforme o estudo, “o risco de desastres é amplamente conhecido como a interação complexa entre o perigo e as características que tornam as pessoas e lugares expostos e vulneráveis”. O texto explica, ainda, que uma área é passível de sofrer perdas ou danos causados por fenômenos ou processos naturais e/ou
induzido.

Já o Plano Municipal de Redução de Riscos “é um documento estratégico para a prevenção e mitigação de riscos socioambientais associados a processos geológicos e hidrológicos”. A metodologia, por sua vez, envolveu análise bibliográfica, fotointerpretação, trabalhos de campo integrados com a Defesa Civil, delimitação e classificação das áreas de risco. Segundo o SGB, “os critérios consideraram tanto fatores naturais, como relevo e drenagem, quanto aspectos antrópicos, como padrão de ocupação urbana e infraestrutura existente”.

T CSM

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