Mães ambulantes do Rio cobram apoio para filhos no Carnaval 2026

Mães ambulantes do Rio cobram apoio para filhos no Carnaval 2026
Mães ambulantes do Rio cobram apoio para filhos no Carnaval – Reprodução

Ambulantes no Rio de Janeiro, especialmente mães, enfrentam condições precárias durante o Carnaval, levando os filhos consigo devido à falta de opções de cuidado infantil durante o feriado prolongado. Sem escolas abertas e sem apoio de cuidadores, muitas optam por acompanhar as crianças nas longas jornadas de trabalho sob o sol escaldante.

Taís Aparecida Epifânio Lopes, de 34 anos, mora na favela do Arará, na Zona Norte, e viaja de ônibus para vender bebidas nos blocos da Zona Sul com sua filha de 4 anos. “Carnaval é quando a gente consegue ganhar mais dinheiro, é um evento grande, então, se eu não fizer isso, a gente não come, não bebe. E eu não posso deixá-la sozinha”, explicou. Seu filho mais velho, de 16 anos, fica em casa, o que a preocupa devido aos conflitos armados na comunidade.

No centro da cidade, Lílian Conceição Santos, também de 34 anos, vende biscoitos, balas e bebidas no Largo da Carioca com três filhos e sobrinhos, de 2 a 14 anos, em uma barraca improvisada. As crianças descansam em colchões no chão, refrescadas por ventiladores e entretidas com celulares. De noite, elas voltam para casa com a avó, que ajuda nas vendas durante o dia. “Aqui é precário. O banheiro que a gente usa é o bueiro, toma banho com água da polícia e comida é na panela elétrica”, contou.

O Carnaval, que deve movimentar R$ 5,8 bilhões na economia do Rio, representa o maior faturamento anual para os ambulantes, atuando como um ‘décimo terceiro salário’. Por isso, o esforço é essencial, segundo o Movimento de Mulheres Ambulantes Elas por Elas Providência. O grupo cobra do poder público a instalação de espaços de convivência para as crianças e para as mães descansarem, disponíveis dia e noite, em áreas centrais e próximas aos grandes blocos.

Neste ano, o movimento articulou com o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), a 1ª Vara da Infância e da Juventude e a prefeitura um espaço noturno para crianças de 4 a 12 anos, funcionando das 18h às 6h perto da Sapucaí. No local, as crianças participam de atividades lúdicas, tomam banho, jantam e dormem com conforto, enquanto os pais trabalham. A unidade atende cerca de 20 crianças por noite. Taís utilizou o serviço no primeiro dia e relatou alívio, destacando as brincadeiras, televisão e camas disponíveis. Luna Cristina Vitória, de 26 anos, também deixou seus filhos de 5 e 9 anos no espaço, elogiando o suporte oferecido.

Apesar do avanço, as mães buscam ampliação do horário para atender quem trabalha de manhã e espaços mais próximos de outras áreas, como o Largo da Carioca. Lílian lamentou a distância da Sapucaí. Caroline Alves da Silva, liderança do Elas por Elas, enfatiza a invisibilidade das trabalhadoras, majoritariamente mulheres negras e mães solo. “A gente faz parte da economia do carnaval, carrega cerveja, carrinho pesado debaixo do sol, nos blocos, na Sapucaí, mas somos invisíveis”, disse. Elas demandam políticas públicas, itens de proteção como guarda-sol e chapéu, e mais diálogo na organização do evento.

O vereador Leniel Borel (PP) publicou vídeos em redes sociais mostrando crianças com pais ambulantes à noite, alertando para riscos como abordagens de pedófilos e desaparecimentos, e cobrando ação da prefeitura.

A Secretaria Municipal de Assistência Social realiza ações permanentes e específicas no Carnaval para prevenir trabalho infantil, circulando nas áreas da Sapucaí e oferecendo o espaço de convivência no Espaço de Desenvolvimento Infantil Rachel de Queiroz, em frente ao Edifício Balança Mas Não Cai. Equipes identificadas com coletes da SMAS podem ser procuradas pelos ambulantes.

Para aliviar o desgaste, o Elas por Elas incluiu as ambulantes no Centro do Catador, perto da Sapucaí, onde podem descansar, beber água, fazer refeições, tomar banho e pernoitar. A iniciativa, da Secretaria Municipal de Ambiente e Clima, foi ampliada com apoio da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A deputada Dani Monteiro (PSol), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, destacou que garantir esses direitos reconhece o papel das trabalhadoras na cidade.

A prefeitura limitou o credenciamento a 15 mil ambulantes para 2026, embora cerca de 50 mil tenham se cadastrado, segundo o movimento. Não foram comentadas as críticas sobre equipamentos de proteção e ampliação do centro infantil.

Com informações da Agência Brasil

T CSM

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