Ela trocou EUA por China e é a atleta mais bem paga dos Jogos de Inverno

Ela trocou EUA por China e é a atleta mais bem paga dos Jogos de Inverno
Ela trocou EUA por China e é a atleta mais – Reprodução

A esquiadora Eileen Gu —também conhecida pelo nome em chinês Gu Ailing— desembarcou nos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina já sob holofotes, protagonista de uma história com pontos notáveis que passam ao longe dos pódios, e incluem mudança de nacionalidade entre países com atritos políticos, estudos e uma fortuna acumulada.

A MUDANÇA DE NACIONALIDADE

Filha de pai americano e mãe chinesa, Elieen nasceu em São Francisco, Califórnia, em 2003.

Ela começou a esquiar com apenas três anos de idade e se tornou um prodígio da modalidade. Foi, por exemplo, campeã júnior da Associação de Snowboard e Freeski dos EUA aos nove anos e ingressou no circuito sênior aos 13 anos.

Em janeiro de 2019, aos 15 anos, conquistou sua primeira vitória na Copa do Mundo de Esqui Estilo Livre na etapa de Seiser Alm, Itália. Meses depois, anunciou que passaria a defender o país natal da mãe em competições internacionais.

“Foi uma decisão incrivelmente difícil para mim. Estou extremamente grato ao Esqui e Snowboard dos EUA e à Associação Chinesa de Esqui por terem a visão e a crença em mim para tornar os meus sonhos realidade. Estou orgulhosa da minha herança, e igualmente orgulhosa da minha educação americana. A oportunidade de ajudar a inspirar milhões de jovens onde a minha mãe nasceu, durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim 2022, é uma oportunidade única na vida para ajudar a promover o desporto que amo. Através do esqui, espero unir as pessoas, promover a compreensão comum, criar comunicação e forjar amizades entre as nações”, disse, em publicação no Instagram à época.

A mudança gerou grande debate, polêmica da qual ela fez questão de desviar. A dupla cidadania não é reconhecida na China e Gu nunca abordou com mais profundidade o tema.

Questionada pela BBC em 2022, o Consulado Geral da China em Nova York disse que Gu teve que se naturalizar ou obter o status de residente permanente na China para competir pelo país, e informou que ela e outros quatro atletas passaram pelo processo para obter elegibilidade para competir pela China nos jogos de 2022.

Poucos anos antes, a China havia ampliado as regras para estrangeiros obterem residência permanente, e passaram a ser elegíveis para tal status aqueles que obtiverem reconhecimento internacional em suas áreas.

A atleta foi questionada pelo jornal South China Morning Post, em 2021, e disse: “Sou completamente americana e pareço e falo como sou. Ninguém pode negar que sou americana. Quando vou à China, ninguém pode negar isso. Sou chinesa, porque falo a língua fluentemente, conheço bem a cultura e me identifico plenamente como tal”.

O assunto é delicado e pode ter reflexos também na carreira dela. A BBC relatou, no mesmo artigo citado anteriormente, que Gu já recusou uma entrevista à revista britânica The Economist e Tom Yaps, empresário dela nos Estados Unidos, justificou: “Se participar de um artigo que tem dois parágrafos críticos da China e dos direitos humanos, isso a colocaria em perigo. Um passo em falso e sua carreira está arruinada”.

A esquiadora conquistou o ouro no Halfpipe e a prata no Slopestyle nos Jogos da Juventude, em 2020. No ano seguinte, se tornou a primeira estreante feminina a ganhar três medalhas no X Games, com o ouro no Ski Slopestyle e no Superpipe, e o bronze no Ski Big Air.

Nos Jogos Olímpicos de Pequim-2022, foi ouro no esqui estilo livre halfpipe e no esqui estilo livre big air, e prata no esqui estilo livre slopestyle.

O impacto de Gu para a modalidade na China foi alto —com grande aumento da popularidade do esporte. Por lá, a imprensa a chama de “garota gênio do esqui” e “princesa da neve”, e ela já protagonizou documentários da televisão do governo.

FORTUNA

Eileen Gu lidera o ranking de atletas mais bem pagos dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina, ao faturar US$ 23 milhões (R$ 120,8 milhões) no ano passado. Ela ocupa a quarta colocação da lista da Forbes das atletas mais bem pagas, atrás das tenistas Coco Gauff, Aryna Sabalenka e Iga Swiatek.

Além dos prêmios conquistados nas pistas, Gu também é modelo da IMG Models e é embaixadora de marcas de luxo como Louis Vuitton e Tiffany & Co. Ela já estampou, por exemplo, a capa da edição de Hong Kong da revista Vogue. Gu também é patrocinada pela Red Bull.

Embora também acumule prêmios em dinheiro nas competições, a maior parte de sua fortuna vem de contratos de patrocínio. Entre suas marcas parceiras estão gigantes chinesas como Anta, Bosideng, Mengniu Dairy e Luckin Coffee.

A esquiadora é aluna da Universidade de Stanford onde, em 2022, iniciou um bacharelado em Relações Internacionais.

MEDALHA EM MILÃO-CORTINA

Nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina, Eileen conquistou a medalha de prata na prova de slopestyle de esqui estilo livre feminino.

“Eu realmente superei muita coisa para chegar até aqui. Os últimos quatro anos foram desafiadores, para dizer o mínimo. Lidei com várias lesões. Há um ano, sofri a pior concussão da minha vida. Tive convulsões depois. Havia pessoas preocupadas se eu iria acordar”, disse Gu ao site “Olympics”.

“Então, poder competir e realmente mostrar o meu melhor esqui – essa foi a minha melhor descida de slopestyle de sempre, e sei que também foi a melhor descida de slopestyle de sempre da Mathilde – participar e contribuir para elevar o desporto ao nível em que está, é a maior honra para mim”, completou.

Ela também foi prata no big air e, no dia 19 disputa as classificatórias no halfpipe, que vai ter disputa por medalha no dia 21.

T CSM

Deixe um comentário

Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
plugins premium WordPress