O Vaticano anunciou que não participará do Conselho da Paz, iniciativa proposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi feita pelo cardeal Pietro Parolin, principal diplomata da Santa Sé, nesta terça-feira (18), enfatizando que situações de crise devem ser gerenciadas pelas Nações Unidas.
O papa Leão XIV, o primeiro pontífice norte-americano e conhecido por críticas a algumas políticas de Trump, havia sido convidado a integrar o conselho em janeiro. De acordo com o plano de Trump para Gaza, que resultou em um frágil cessar-fogo em outubro, o conselho deveria supervisionar a governança temporária da região. Posteriormente, Trump afirmou que o órgão, presidido por ele, seria ampliado para lidar com conflitos globais. A primeira reunião está marcada para quinta-feira (19), em Washington, para discutir a reconstrução de Gaza.
A Itália e a União Europeia informaram que seus representantes participarão como observadores, sem aderir formalmente ao conselho. Parolin explicou que a Santa Sé não participará devido à ‘natureza particular’ do Vaticano, que não é a de outros Estados, e reiterou a importância de a ONU liderar esforços internacionais nessas crises.
O conselho, lançado no mês passado, enfrenta críticas de especialistas em direitos humanos por se assemelhar a uma estrutura colonial, especialmente por Trump comandar a supervisão de um território estrangeiro, e por não incluir representantes palestinos. Países reagiram com cautela ao convite, com preocupações de que a iniciativa possa minar a autoridade da ONU. Aliados de Washington no Oriente Médio aderiram, mas aliados ocidentais permanecem afastados.
A trégua em Gaza tem sido repetidamente violada desde outubro, resultando na morte de centenas de palestinos e quatro soldados israelenses. O ataque de Israel à região causou mais de 72 mil mortes, uma crise de fome e o deslocamento interno de toda a população de Gaza. Vários especialistas em direitos humanos, acadêmicos e uma investigação da ONU classificam essas ações como genocídio, enquanto Israel as descreve como autodefesa após um ataque de militantes do Hamas, em final de 2023, que matou 1.200 pessoas e fez mais de 250 reféns.