Luísa Martins
Folhapress
Acusado de assédio sexual por duas mulheres, o ministro Marco Buzzi, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), teve alta do hospital DF Star, onde estava internado desde o dia 5 de fevereiro.
Embora ainda esteja no prazo do atestado médico, que tem duração de 90 dias, ele está afastado do cargo não por esse motivo, mas porque o plenário da corte assim decidiu, em sessão secreta realizada na semana passada.
O médico cardiologista Fabricio Silva informou que Buzzi foi internado após sentir palpitações e dor no peito. Em mensagem enviada pelo WhatsApp a colegas no dia 9, o ministro falou que estava “sob acompanhamento cardíaco e emocional”.
Não há informações do hospital sobre a data da alta, mas pessoas próximas a Buzzi afirmam que ele já está em casa pelo menos desde sexta-feira e segue sob monitoramento médico domiciliar.
O ministro é alvo de uma sindicância no próprio STJ, um procedimento administrativo que deve resultar na aposentadoria compulsória, e de uma investigação criminal no STF (Supremo Tribunal Federal). Uma eventual condenação pode levar à prisão.
Buzzi foi acusado de importunação sexual por uma jovem de 18 anos que relatou ter sido agarrada e tocada pelo ministro, que tem 68 anos, durante um banho de mar no litoral de Santa Catarina. Ela e os pais estavam hospedados na casa do magistrado.
A segunda denúncia foi feita por uma servidora terceirizada do STJ, que relatou ter sofrido assédio sexual no gabinete do ministro. Como mostrou a Folha, o fato de o episódio ter ocorrido dentro do STJ foi crucial para que o plenário decidisse afastá-lo.
Na sessão, o ministro Francisco Falcão, presidente da comissão que conduz a sindicância, leu trechos dos depoimentos prestados pelas mulheres que se dizem vítimas do ministro. A votação definitiva sobre o futuro de Buzzi será em 10 de março.
A defesa de Buzzi diz que o ministro “não cometeu qualquer ato impróprio, como será possível demonstrar oportunamente no âmbito dos procedimentos já instaurados”. Os advogados também manifestaram “respeitosa indignação” com o afastamento cautelar.
A nota diz que o vazamento de informações busca “constranger o devido processo legal e influenciar indevidamente futuras decisões judiciais” e que “já estão sendo colhidas as contraprovas que permitirão, ao fim, a análise serena e racional dos fatos”.